Soaria piegas começar um texto sobre uma prova de corrida chamada Desafio da Onça dizendo que um atleta se deparou, na noite anterior, com uma onça-pintada cruzando faceira a estrada na mata —como se na coincidência residisse uma simbologia mística. Mas ao repórter cabe um pedido de licença para se aproveitar da pieguice que, afinal, a natureza proporcionou: o relatado foi o que se passou.

O encontro com a onça foi fortuito —e talvez raro— golpe de sorte na noite de sexta, na volta de um jantar, próximo ao km 31 da BR-469, que corta o Parque Nacional do Iguaçu (PR). E, mística à parte, o foco há de ser a prova: o Desafio da Onça estreou em 2026.

A modalidade integra o cardápio da Meia-Maratona das Cataratas, que concluiu no fim de semana de 16 e 17 de maio sua 17ª edição. Desde 2017 promovia-se uma segunda prova, paralela à de 21 km, com largada no mesmo dia. Neste ano, a prova secundária cresceu —de 8 para 10,5 km— e ganhou dia próprio, levando ao convite: atletas, por que não correr 10,5 km no sábado e mais 21 km no domingo?

Ficou combinado ainda que a prova mais curta tivesse como mascote um quati, devidamente estampado na medalha; a prova tradicional, um tucano; e o desafio, bem, a tal onça. Movido também pelo desafio jornalístico de relatar o multiesforço, o repórter da Folha topou a aventura.