A New Balance 42K Porto Alegre, prova brasileira mais bem colocada em ranking de performance da World Athletics em 2025, entra na briga pelo título da prova mais rápida do país de 2026. O evento será disputado no dia 12 de julho. A prova era dona do recorde de mais rápida no país, em evento de maratona, no naipe feminino. E viu sua marca ser pulverizada por sete atletas na Maratona do Rio, no início de junho. Além disso, tem a Maratona Internacional de Porto Alegre, realizada pela Olympikus, como concorrente na mesma cidade, no naipe masculino. Na edição deste ano, a prova da Olympikus obteve o recorde entre os homens, batendo marca que era de 2008, da Maratona de São Paulo. E, para tentar "recuperar" o título no feminino e buscar a marca do masculino, a New Balance 42K Porto Alegre terá pelotão forte, ao menos no masculino, com dez atletas com tempos inferiores ao atual recorde de maratona feito no Brasil, em eventos de maratona. No caso do feminino, apenas duas atletas têm esta mesma condição. A prova dos 42km New Balance de Porto Alegre, em 2025 — Foto: Divulgação — A gente tem certeza que vamos manter o posto de melhor prova do Brasil (sobre performance) — disse Renato Elias, gerente de marketing da New Balance Brasil. Atualmente, os recordes em maratonas realizadas no Brasil, em eventos de maratona, pertencem ao queniano Daniel Kiprono Sang, com 2h10min21, estabelecido na Maratona Internacional de Porto Alegre, em maio de 2026, e a etíope Gadise Mulu Demissie, com 2h25min47, obtido no Rio de Janeiro, também neste ano. Mas, os melhores tempos de maratona feitos em território nacional permanecem ao queniano Eliud Kipchoge, com 2h08min44, e à queniana Jemima Sumgong, 2h24min04, ambos feitos na maratona dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. — E o nosso grande diferencial desta edição é poder correr com Kipchoge — atesta Renato, sobre o fato de que o queniano correrá "entre os mortais". Kipchoge, que tem como melhor tempo 2h01min09, é a grande estrela do evento. Ele correrá em Porto Alegre como parte da sua turnê mundial, na qual participará de sete maratonas, uma em cada continente do planeta (incluindo a Antártida), em dois anos. A primeira parada da "Eliud Kipchoge World Tour" foi na Cidade do Cabo, na África do Sul, há cerca de um mês. Na ocasião, ele completou os 42km em 2h13min29, terminando em 16.º lugar. A iniciativa marca um novo capítulo na trajetória do bicampeão olímpico, combinando o atletismo de elite com a missão de "unir o mundo através da corrida". Cada etapa da turnê também arrecadará fundos para a Fundação Eliud Kipchoge, que apoia projetos educacionais e ambientais em todo o mundo. — No ano passado ele chegou a fazer 2h05 em uma prova, 2h08 em outra. Ele ainda é competitivo. Se estiver em uma prova, com companhia (para manter o ritmo), plana e rápida... não sabemos o que ele pode entregar — afirma Cláudio, que diz que não há nenhuma condição prevista em contrato em relação a tempo, colocação ou algo do tipo. — Cidade do Cabo foi a última corrida dele, mas é uma prova tecnicamente difícil. Eliud Kipchoge: vitória na Rio-2016 — Foto: AFP PHOTO / OLIVIER MORIN O pelotão masculino da New Balance terá dez atletas com tempos entre 2h01 e 2h09, abaixo do recorde de Sang. Além de Kipchohe, a elite terá Shifera Tamru Aredo, da Etiópia, com 2h05min18 como melhor marca. Ele é seguido por Philimon Kiptoo Kipchumba, do Quênia, com 2h05min35. E por Aziz Ait Ourkia, do Marrocos, que tem como melhor marca 2h06min08. A lista tem ainda Timothy Kipkorir Kattam (Quênia, com 2h06min40), Derese Tasew Workneh (Etiópia, com 2h06min58), Yismaw Atinafu Yitayew (Etiópia, com 2h07min20), Hugo Catrileo Tapia (Chile, com 2h08min44), Paulo de Paula (Brasil, com 2h09min51), e Zineddine Ouria (Marrocos, com 2h09min55). No caso do feminino, os destaques são Caroline Cheptonui Kilel (Quênia, com 2h22min34) e Sadiya Awel Shure (Etiópia, com 2h24min57). — Claro que a quebra do recorde é um fato importante para nós. Está no nosso DNA ter uma prova forte. Foi a primeira no Brasil a ter o selo Elite da World Athetics. E com dez atletas com tempos abaixo do recorde, a probabilidade de acontecer (recorde) é muito forte. Mas não é só isso. Temos a prova com a maior quantidade proporcional de atletas com tempos abaixo de 3 horas, a que mais coloca gente para correr em Boston por índice técnico... Somos conhecidos nacionalmente como uma prova rápida e plana (12 metros de altimetria; a Maratona de Porto Alegre da Olympikus tem 14 metros). Renato afirma que outro foco, igualmente importante, é a entrega da experiência para o corredor. Do kit ao pós-prova. — A gente não sai lotando uma prova porque sim. Ainda que a gente cresça de pouquinho em pouquinho, preferimos. É para garantir que todos consigam participar das nossas ativações, que são de graça. Consigam correr sem esbarrar em todo mundo, que todos tenham medalha, que recebam um kit recheado (camiseta, manguito, touca, meia e de 12 a 14 itens de patrocinadores) e por aí vai. Agenda cheia Cláudio explica que, o fato da prova ter o selo Elite, se faz necessário entregar uma prova tecnicamente forte. A exigência, segundo Claudio, é ter no mínimo cinco atletas do masculino com tempos abaixo de 2h10min30 e cinco do feminino com marcas abaixo de 2h31min00. Por conta disso, a organização precisou buscar atletas deste nível fora do país. E ao negociar com agentes de atletas descobriram o projeto de Kipchoge. Prova dos 42km New Balance de Porto Alegre, em 2025 — Foto: Divulgação — Enxergamos como uma oportunidade única e fomos atrás para viabilizar. Entramos em uma concorrência com outras provas e por sorte e também pela qualidade do nosso evento, fomos escolhidos — contou Cláudio, que não quis comentar sobre este processo. Kipchoge terá agenda agitada no Brasil. No dia 9 de julho acontecerá um happy hour no Golden Lake com o atleta e 200 participantes. O encontro inclui bate-papo, garrafa exclusiva autografada, foto em grupo e brindes para quem pagou R$ 1 mil no ingresso. Os valores serão revertidos para a fundação do Kipchoge. No dia seguinte, o Kipchoge fará uma palestra no Salão de Atos da PUC RS, com capacidade para 1.500 pessoas. Aqui os ingressos custaram R$ 200 e também serão revertidos para o instituto do atleta. Ainda há ingressos para estes eventos. Claúdio disse que Kipchoge "é uma pessoa simples, tranquila". Não fez exigência nenhuma. Seu cachê, que não foi revelado, também será doando para sua instituição. Ele vem ao Brasil com a esposa, que estreou em maratonas na Cidade do Cabo e vai correr os 42km de novo. Grace Jepleting Karonei Sugut completou sua primeira maratona em 4h29min59. Caminhando ao seu lado na linha de chegada, com um braço em volta de seus ombros, estava Kipchoge. Ele participará ainda de outras ações, como visita a uma comunidade carente de Porto Alegre e a um clube de futebol. Ele chegará ao Brasil com equipe de cerca de 15 pessoas, desde videomaker a fisioterapeuta. Ele está gravando imagens da sua turnê para a realização de um documentário. Percurso A New Balance 42K Porto Alegre terá largada no Parque da Redenção e chegada no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, conhecido como Parque Harmonia. Estes dois locais são dos mais emblemáticos da capital gaúcha. Os participantes passarão também por longos segmentos planos às margens do rio Guaíba, o principal da cidade. Com pequenos ajustes em relação ao traçado do ano anterior, o novo percurso preserva a essência cênica da prova enquanto otimiza trechos importantes para favorecer o desempenho dos corredores. Em comparação com 2025, o traçado foi redesenhado para reduzir deslocamentos mais longos em direção ao extremo sul da cidade e concentrar ainda mais a experiência na região central e na orla, tornando o percurso levemente mais compacto e dinâmico. Somando premiações fixas e bônus por desempenho, o evento disponibilizará mais de R$ 1 milhão. Na disputa da maratona masculina e feminina, os campeões receberão R$ 90 mil cada, enquanto os vice-campeões serão premiados com R$ 45 mil e os terceiros colocados com R$ 30 mil. A organização ainda oferecerá um prêmio adicional de R$ 50 mil ao melhor atleta brasileiro em cada uma das categorias. Atletas que superarem a melhor marca já registrada em maratonas realizadas no Brasil poderão receber R$ 100 mil, enquanto performances que estabeleçam um novo recorde sul-americano poderão render até R$ 600 mil, dependendo da combinação dos resultados obtidos nas disputas masculina e feminina.