"Atraso", "desastre" e "retrocesso" são alguns dos adjetivos empregados por aqueles que se contrapõem à PEC 221, que propõe reduzir para 40 horas a jornada de trabalho, estabelecendo uma escala de 5 dias trabalhados para 2 de descanso remunerado, sem perda salarial.

Para os mais críticos, a aprovação da PEC não apenas gerará maiores custos aos empregadores —que seriam repassados a toda a sociedade, por meio do aumento dos preços— como, sobretudo, imporá perdas aos próprios empregados, que serão demitidos ou obrigados a migrar para a informalidade. Trata-se, para esses críticos, não apenas de uma medida economicamente contraproducente mas de uma proposta perversa para aqueles que almeja beneficiar.

Essas reações não deveriam surpreender. Desde a Revolução Francesa, o argumento de que reformas emancipatórias podem gerar efeitos perversos tornou-se um mantra entre aqueles que se opõem às reformas sociais, como aponta o grande economista Albert Hirschman em "Retórica da Reação" (1991).

Essa foi a crítica que se fez à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão; ao fim da escravidão; à adoção do sufrágio universal, sobretudo a extensão do voto às mulheres, negros e analfabetos; bem como à introdução da legislação social, que impôs limites à livre contratação e criou benefícios sociais aos trabalhadores. Tudo iria piorar!