O fim da escala 6x1 dominou o noticiário dos últimos dias e, mais uma vez, dividiu o País. De um lado estão aqueles que defendem que dar mais um dia de folga para o trabalhador vai aumentar o bem-estar da população. Do outro estão aqueles que acreditam que a mudança significará mais desemprego e mais inflação. PUBLICIDADE“A discussão virou uma guerra entre iluminados bonzinhos, que defendem descanso, e monstros capitalistas, que sonham em ver o trabalhador batendo ponto até virar patrimônio histórico. Só que a vida real é menos confortável do que esse discursinho”, diz a colunista do Estadão Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax (veja a íntegra desta coluna no vídeo acima).No Fala, Duquesa! desta semana, a colunista discute o fim da escala 6x1, aprovada ontem na comissão especial da Câmara dos Deputados. “Trabalhar seis dias e descansar um é muito pesado, principalmente para quem pega ônibus lotado, mora longe, ganha pouco e, ainda por cima, tem de resolver a vida inteira em um único dia de folga. Não é difícil entender por que tanta gente quer mudar isso.”O problema, destaca a Duquesa, começa quando a solução aparece como se não existisse nenhum custo. E, nesse caso, não se trata apenas do salário que o trabalhador recebe. Envolve o custo que acompanha esse salário. Quando o Estado discute reduzir a jornada de 44 horas semanais para 42 e depois para 40, mantendo a remuneração, ele aumenta, na prática, o custo da hora trabalhada, diz a colunista. Leia maisFim da escala 6x1: Veja perguntas e respostas sobre a PEC que reduz a jornada de trabalho no PaísFim da escala 6x1: Veja o que pode mudar para os trabalhadores se a redução de jornada for aprovadaSenado indica que não vai travar PEC que acaba com escala 6x1, mas transição volta à mira“Os encargos sobre a folha, a carga sobre o emprego formal e a burocracia permanecem inalterados. Ou seja, o Estado está redesenhando a jornada, mas não a própria participação no custo. Talvez essa seja a parte mais conveniente da história”, diz ela. Para a Duquesa, o governo parece muito confortável em jogar empresário contra trabalhador, trabalhador contra empresário. PublicidadeO próprio governo já admitiu que a carga tributária sobre a folha de pagamento é muito pesada. A desoneração da folha nasceu no governo Dilma Rousseff para diminuir o custo em setores que contratam muita mão de obra. “A lógica era trocar, para algumas empresas, a contribuição sobre a folha por uma contribuição sobre a receita bruta, ou seja, sobre aquilo que a empresa fatura.”Segundo a colunista do Estadão, em vez de encarar o problema estrutural, o Brasil colocou um balde embaixo da goteira e fingiu que a casa não tinha nenhuma infiltração. “No início parecia uma solução. Depois, a renúncia foi crescendo, os setores passaram a depender da regra e a prorrogação virou um cabo de guerra.” A comissão especial que analisa a proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais e acaba com a escala 6x1 aprovou na quarta-feira, 27, o texto principal da PEC Foto: Wilton Junior/EstadãoA redução da jornada pode entrar no debate como uma pauta legítima de qualidade de vida, mas ela não pode ser tratada como se não mexesse também nos custos de quem contrata, diz a Duquesa. A solução tem de enxergar, ao mesmo tempo, a vida de quem trabalha e a conta de quem emprega. “Sem isso, é só gritaria de rede social. Por isso, essa discussão tem de ser feita com seriedade.”ProgramaTodas as quintas-feiras, às 9h30, a Duquesa de Tax faz reacts (comentários sobre outros vídeos ou entrevistas) do noticiário econômico no Estadão. Além disso, tem o programa semanal Não vou passar raiva sozinha. Os vídeos inéditos vão ao ar sempre às segundas-feiras, às 9h30, para assinantes do Estadão. Cortes do programa são distribuídos ao longo da semana nas redes sociais e na Rádio Eldorado. A atração também tem uma versão em podcast.Siga a Duquesa de Tax no EstadãoNão vou passar raiva sozinha no SpotifyPublicidadeNão vou passar raiva sozinha no Apple Podcasts