PUBLICIDADE Bolivianos pedem renúncia do presidente em meio à pior crise econômica do país em quatro décadas Manifestantes antigovernamentais mantêm um bloqueio em uma das principais rodovias que levam à cidade de La Paz, em El Alto, Bolívia — Foto: MARVIN RECINOS/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/05/2026 - 18:35 Crise Econômica na Bolívia: Protestos Pedem Renúncia de Rodrigo Paz Na Bolívia, manifestantes intensificam bloqueios, exigindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz em meio à pior crise econômica em quatro décadas. Agricultores e outros grupos recusam diálogo com o governo, com mais de 70 bloqueios relatados. O presidente busca negociações, mas enfrenta resistência, enquanto a oposição e sindicatos mantêm a pressão. Tensão cresce com possibilidade de estado de emergência. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Manifestantes que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz na Bolívia rejeitaram, nesta sexta-feira, os renovados apelos do governo por diálogo e intensificaram os bloqueios que assolam a capital política do país há um mês, informou a AFP. Agricultores, trabalhadores, mineiros, transportadores e professores exigem que o presidente de centro-direita, no poder há seis meses, encontre uma solução para a crise econômica, a pior em quatro décadas. Suas reivindicações se tornaram mais radicais, pois sentem que seus apelos não foram ouvidos. Vestindo ponchos e mascando folhas de coca, centenas de agricultores aimarás ocuparam, na sexta-feira, a principal rodovia que liga a cidade de El Alto, a 4.100 metros de altitude, a La Paz, sede do Executivo. — Eles nos convidaram [para conversar], mas nós mesmos dissemos: não podemos dialogar, este governo tem que sair — disse à AFP Juan Hidalgo, líder dos Ponchos Vermelhos, um poderoso sindicato camponês que protestava nos arredores de La Paz. Enormes blocos de concreto impediam a passagem de veículos, enquanto mulheres com saias tradicionais distribuíam almoços. — Renunciem hoje ou convoquem eleições — acrescentou Hidalgo, cercado por outros agricultores com chicotes pendurados nos ombros. Nesta sexta-feira, foram relatados mais de 70 bloqueios de rodovias em todo o país, segundo a Administração Rodoviária Boliviana, cerca de 20 a mais do que no início da semana. Na quarta-feira, durante um evento público, Paz convidou os principais sindicatos de trabalhadores e camponeses para negociar "pela última vez". — Se eles não quiserem dialogar, a lei entrará em ação — disse ele. O presidente tem carta branca para declarar estado de emergência e controlar protestos com o auxílio dos militares, depois que o Congresso revogou uma lei que limitava seus poderes. O vice-presidente, Edmand Lara, opositor declarado de Paz, está promovendo uma comissão de diálogo com representantes do governo, do Parlamento, da Igreja Católica e da Defensoria Pública. Mas os principais manifestantes, os trabalhadores e camponeses, não compareceram a nenhuma das sessões. Mario Argollo, o líder máximo da Central Operária Boliviana (COB), o maior sindicato do país, tem um mandado de prisão expedido contra ele por supostos delitos de "incitação ao crime" e "terrorismo". Seu sindicato se recusa a dialogar com o governo até que o mandado seja revogado.