Manifestantes pediam renúncia do presidente em meio à pior crise econômica do país em quatro décadas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Manifestantes antigovernamentais mantêm um bloqueio em uma das principais rodovias que levam à cidade de La Paz, em El Alto, Bolívia — Foto: MARVIN RECINOS/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/06/2026 - 22:37 Acordo encerra protestos na Bolívia, mas tensões persistem Após seis semanas de intensos protestos que exigiam a renúncia do presidente Rodrigo Paz, a Bolívia finalmente vê um alívio. Um acordo entre o governo e a principal federação sindical do país foi firmado, encerrando bloqueios de estradas que causaram escassez de alimentos e medicamentos. Apesar da redução significativa dos bloqueios, grupos indígenas e produtores de coca continuam a pressão, enquanto o país lida com perdas econômicas significativas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente boliviano, Rodrigo Paz, chegou a um acordo nesta sexta-feira com a principal federação sindical do país, pondo fim a mais de seis semanas de bloqueios de estradas e protestos que exigiam a renúncia do presidente. A onda de protestos que tomou conta da Bolívia foi motivada pela pior crise econômica do país em quatro décadas. — A partir de agora, as medidas de pressão estão suspensas em todo o país — anunciou Mario Argollo, líder da Central Operária Boliviana, que destacou o "compromisso do governo de cumprir imediatamente tudo o que foi assinado". Os bloqueios de estradas que causaram escassez de alimentos e medicamentos em toda a Bolívia começaram a diminuir após quase 50 dias de conflito que testaram a resiliência do presidente. O número de bloqueios de estradas caiu para cerca de 50 na manhã de segunda-feira, ante mais de 100 nos dias anteriores, segundo a Administração Rodoviária Boliviana. — O diálogo é mais forte que a força — afirmou Paz após a assinatura do acordo, que, no entanto, não abrange todos os setores do movimento de protesto. — Não sobrevivem os mais fortes, e sim os que sabem se adaptar. Os agricultores, indígenas e trabalhadores de fábricas e minas que aderiram aos protestos exigiam a renúncia do presidente. O governo Paz iniciou um diálogo com Argollo na semana passada. Grupos de trabalho reuniram-se entre líderes sindicais e ministros do governo para chegar ao acordo alcançado nesta sexta-feira. Os bloqueios de estradas chegaram a mais de cem em determinado momento. Agora, foram reduzidos à metade, e o governo espera que diminuam ainda mais nas próximas horas. No entanto, os povos indígenas e os agricultores do sindicato Túpac Katari, nos Andes bolivianos, e os produtores de coca de Chapare, reduto do ex-presidente Evo Morales (2006-2019), decidiram manter a pressão. O ímpeto dos protestos começou a diminuir à medida que surgiram divisões entre os manifestantes e as consequências econômicas se fizeram sentir. As perdas ascendem a US$ 2,8 bilhões (R$ 14,29 bilhões), o equivalente a cerca de 5,5% do PIB da Bolívia, segundo a Câmara Nacional das Indústrias.