Barreiras compunham manifestações nacionais que pediam renúncia do presidente Rodrigo Paz em meio a crise econômica 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Policiais entraram em confronto com manifestantes rurais em Lipari, no departamento de La Paz, Bolívia — Foto: AIZAR RALDES/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/06/2026 - 21:03 Evo Morales suspende bloqueios em Cochabamba em meio a crise política na Bolívia Evo Morales anunciou a suspensão temporária dos bloqueios em Cochabamba, Bolívia, local de protestos exigindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz em meio à crise econômica. A decisão veio após uma assembleia de cocaleiros, apesar das manifestações ainda persistirem. O governo instaurou estado de emergência para garantir a segurança e normalizar a circulação nacional, em um contexto de tensões políticas e acusações mútuas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ex-presidente da Bolívia Evo Morales anunciou nesta segunda-feira a suspensão temporária dos bloqueios que ainda persistiam no departamento de Cochabamba, seu principal reduto político no país. As barreiras ainda estavam instaladas onde seguiam os últimos protestos que exigiam a renúncia do presidente de centro-direita, Rodrigo Paz. Morales fez o anúncio ao final de uma assembleia de dirigentes cocaleiros na localidade de Lauca Eñe. — Por enquanto, faremos uma pausa. Isso não significa que estamos nos rendendo — afirmou Morales, após ouvir o pedido de lideranças locais para declarar uma trégua, já que os bloqueios de estradas no restante do país haviam sido encerrados. Os últimos focos de protesto ainda permaneciam no centro da Bolívia, três dias depois de Paz decretar estado de emergência para encerrar as manifestações. A medida foi anunciada horas após um acordo para pacificar o país, assinado na sexta-feira com líderes da Central Operária Boliviana (COB), a maior central sindical do Equador. Em discurso na TV, Paz declarou que havia instruído a Polícia Boliviana e as Forças Armadas a realizarem as ações necessárias para “restabelecer o direito de ir e vir, recuperar as rodovias e garantir a segurança da população”. A economia perdeu bilhões de dólares devido aos protestos, que o presidente classificou como uma “tentativa de golpe de Estado do narcoterrorismo”. “Os bolivianos não podem continuar sendo reféns de bloqueios que os impedem trabalhar, estudar, receber atendimento médico, abastecer e levar sustento para suas casas”, escreveu Paz nas redes sociais. O decreto, publicado horas depois no Diário Oficial da Bolívia, terá validade máxima de 90 dias, mas ainda deve ser ratificado pelo Congresso. Os ministérios do Governo e da Defesa informaram que devem emitir resoluções conjuntas para restringir os direitos de circulação, reunião e liberdade de movimento, quando necessário. Ao jornal La Razón, o ministro da Economia, José Gabriel Espinoza, garantiu que o estado de emergência teria uma aplicação focalizada e não implicaria restrições para a população nas regiões onde não há conflitos ou barricadas. Operários, agricultores e indígenas iniciaram uma greve e bloqueios de estradas no início de maio para exigir que o governo resolvesse a crise econômica, a pior que o país enfrenta em quatro décadas, e protestar contra a venda de gasolina de má qualidade, que gerou amplo descontentamento. Diante da falta de acordos, os setores passaram a exigir a renúncia do presidente, e os bloqueios de estradas se espalharam pelo país. Confrontos com a polícia também foram relatados por vários dias em La Paz, que, juntamente com sua vizinha El Alto, sofre com escassez de alimentos, medicamentos e combustível. O governo de centro-direita, que assumiu em novembro após 20 anos de governos de esquerda, acusa, sem provas, Morales de instigar os protestos e de usar dinheiro do narcotráfico. O ex-presidente está escondido na região de Chapare para evitar um mandado de prisão. Ele rejeita as acusações.