Estado de exceção mobilizou policiais e militares para desobstruir estradas; EUA e outros 15 países manifestaram apoio ao governo de Rodrigo Paz 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A polícia de choque passa pela rodovia La Paz-Oruro para levantar um bloqueio em Mazo Cruz, departamento de La Paz, Bolívia, em 20 de junho de 2026, depois que o presidente boliviano, Rodrigo Paz, declarou estado de emergência — Foto: AIZAR RALDES / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/06/2026 - 19:48 Governo boliviano decreta estado de exceção e libera rodovias após protestos Após sete semanas de bloqueios e protestos, as rodovias na Bolívia foram liberadas com a decretação do estado de exceção pelo governo de Rodrigo Paz, que mobilizou forças policiais e militares. A medida melhorou o abastecimento em cidades como La Paz. Os EUA e 15 países apoiaram o governo diante de ameaças à ordem constitucional. A crise tem origem em manifestações de sindicatos e grupos indígenas, exacerbadas por acusações de financiamento por narcotráfico. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Autoridades da Bolívia informaram que as rodovias do país foram completamente desobstruídas nesta terça-feira, três dias depois da proclamação do estado de exceção destinado a pôr fim a sete semanas de protestos contra o governo. Com a entrada em vigor da medida, o abastecimento melhorou em cidades como La Paz e a vizinha El Alto, as mais afetadas. No auge da crise, as autoridades chegaram a contabilizar até cem interrupções viárias. O presidente boliviano, Rodrigo Paz, de centro-direita, decretou no sábado o estado de exceção para proibir os protestos e ordenou que policiais e militares limpassem as rodovias. Uma mulher caminha na rodovia enquanto uma retroescavadeira passa por um bloqueio em Mazo Cruz, departamento de La Paz, Bolívia, em 20 de junho de 2026, depois que o presidente boliviano, Rodrigo Paz, declarou estado de emergência — Foto: AIZAR RALDES / AFP "Nossas estradas foram liberadas", informou, nesta terça-feira, em sua conta no X, o ministro de Obras Públicas, Mauricio Zamora. Desde o início de maio, sindicatos, grupos indígenas e cultivadores de coca multiplicaram as manifestações e os bloqueios viários para exigir a renúncia de Paz, em um contexto de crise econômica, a mais grave em 40 anos. Em uma declaração emitida nesta terça-feira, os Estados Unidos e outros 15 países do continente americano expressaram sua "profunda preocupação" com o impacto dos bloqueios e afirmaram que as tentativas de "minar e depor" o governo representavam uma "grave ameaça para a ordem constitucional e a estabilidade democrática" da Bolívia. "Apoiamos o governo boliviano eleito de acordo com a Constituição e instamos os grupos mobilizados a priorizar o diálogo e a negociação dentro do marco constitucional", acrescentam no texto. Vista da rodovia La Paz-Oruro depois que a tropa de choque levantou o bloqueio na estrada em Mazo Cruz, departamento de La Paz, Bolívia, em 20 de junho de 2026, depois que o presidente boliviano, Rodrigo Paz, declarou estado de emergência — Foto: AIZAR RALDES / AFP O presidente panamenho, José Raúl Mulino, afirmou, por sua vez, durante a Assembleia Geral da OEA no Panamá que o narcotráfico financia a "esquerda radical" na Bolívia. — (O crime organizado) busca subverter a ordem constitucional por meios violentos e ilegítimos — declarou. O governo de Paz acusa o ex-presidente socialista Evo Morales (2006-2019) de ter impulsionado os protestos e de tê-los financiado com dinheiro proveniente do narcotráfico, embora não tenha apresentado provas. Os últimos pontos de bloqueio foram extintos, após Morales declarar sua suspensão temporária na segunda-feira. Todos estavam no departamento de Cochabamba, reduto do líder indígena no centro do país. No começo de maio, organizações sociais iniciaram uma greve e interrupções viárias para exigir a saída de Paz e protestar contra a venda de gasolina de má qualidade.