Ruas vazias, aulas virtuais e escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos. Parece uma cidade em lockdown na pandemia de Covid-19, há seis anos, mas esta é La Paz de 2026 após um mês sitiada por protestos que, entre outras reivindicações, pedem a renúncia do recém-eleito presidente da Bolívia, Rodrigo Paz.

As manifestações, que começaram com uma greve em maio e evoluíram para bloqueios que obstruem dezenas de estradas em todo o país, já têm um saldo de dez mortos, de acordo com relatos —incluindo sete pessoas que não teriam conseguido atenção médica devido à paralisação.

O que motivou os protestos?

Paz chegou ao poder com uma grave escassez de combustível e dólares, uma recessão que derrubou o PIB em 1,58% em 2025 e a maior inflação do país em quase 40 anos. Primeiro presidente de direita após duas décadas de domínio da esquerda, o político assumiu com a promessa de "capitalismo para todos", reduzindo gastos públicos e aplicando medidas como a retirada dos subsídios dos combustíveis.

Os protestos, no entanto, revelam dinâmicas que explicam boa parte da política boliviana.