Os protestos se intensificaram na Bolívia nesta sexta-feira (22), com os bloqueios de estradas se expandindo pelo país, após a troca de ministros promovida pelo presidente Rodrigo Paz nesta semana falha em conter a pressão das ruas pelo fim do seu governo. Dezesseis dias após o início dos bloqueios, foram registrados 51 pontos de interdição em sete dos nove estados do país, com concentração em La Paz, Oruro e Cochabamba, segundo dados da Administração Boliviana de Rodovias (ABC). A Federação de Trabalhadores Camponeses Túpac Katari convocou uma marcha de cerca de 13 quilômetros partindo da cidade de El Alto com destino ao Palácio de Governo, reunindo representantes das 20 províncias e setores aliados como a Central Obreira Boliviana, transportadores e professores. O impacto dos bloqueios já é sentido no cotidiano. Em La Paz e El Alto, há relatos de desabastecimento de alimentos e gás, aumento de preços, interrupções no transporte público e suspensão parcial de atividades escolares e municipais. O governo anunciou a abertura de corredores humanitários para garantir o fornecimento de itens básicos. Com manifestantes bloqueando estradas, pelo menos três pessoas morreram aguardando atendimento médico, segundo o governo. Hospitais também alertaram para o desabastecimento de insumos. A pressão nas ruas também forçou uma reorganização no governo. O presidente anunciou na quarta-feira que vai reformular seu gabinete, mas não estabeleceu um cronograma para a reformulação nem detalhou quais mudanças ela acarretaria. O ministro do Trabalho, Edgar Morales, renunciou em meio à escalada do conflito, afirmando querer "pacificar o país". Paz o substituiu pelo advogado constitucionalista Williams Bascopé Laruta Os protestos são liderados por sindicatos de trabalhadores e agricultores do altiplano, com vínculos ao ex-presidente Evo Morales, cujo partido Movimento ao Socialismo (MAS) dominou a política boliviana por quase duas décadas. As manifestações têm origem em demandas que foram se ampliando ao longo dos dias. O movimento começou com reivindicações salariais, contestação à qualidade do combustível e rejeição a uma norma sobre recategorização de terras — mas, com a prolongação dos protestos, a exigência de renúncia de Paz tornou-se a principal bandeira dos grupos mobilizados. Veja vídeo: Protestos violentos abalam a capital da Bolívia
Protestos se intensificam na Bolívia mesmo após anúncio de mudanças no governo
Dezesseis dias após o início dos bloqueios, foram registrados 51 pontos de interdição em sete dos nove estados do país, com concentração em La Paz, Oruro e Cochabamba











