A pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição deu destaque à segurança pública e ao combate ao crime organizado na prévia do programa de governo, divulgada nesta sexta-feira (29). O texto-base das propostas que serão apresentadas na disputa afirma que Lula “não é condescendente com o crime organizado e as facções criminosas”, faz um balanço das ações do governo na área e defende “ampliar e qualificar” o enfrentamento a organizações ilícitas. A segurança é uma das áreas que mais preocupa a população, segundo pesquisas de opinião, e tem sido explorada pela oposição contra o governo Lula. O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e seus aliados já estão usando politicamente a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, a partir de 5 de julho. O governo americano divulgou a medida na quinta-feira (28), depois do encontro de Flávio com Trump na Casa Branca, em Washington, na terça-feira. Em uma espécie de “vacina” às críticas da oposição, o texto-base do programa de governo de Lula ressalta as ações do presidente contra as organizações criminosas e apresenta sete propostas para reforçar a repressão às facções. Nova plataforma digital para captar propostas Nesta sexta-feira, em evento na capital paulista, na Fundação Perseu Abramo, do PT, integrantes da pré-campanha de Lula e aliados lançaram uma plataforma digital que será usada para captar propostas para o plano de governo durante o mês de junho. O site traz um documento com 180 páginas, dividido em 13 eixos centrais do programa de governo, que servirá de base para o debate. Um desses eixos é segurança. “Não somos condescendentes com o crime organizado e as facções criminosas que ameaçam a vida dos cidadãos e cidadãs”, afirma o documento. “O enfrentamento às organizações criminosas — que atuam no tráfico de drogas, armas, pessoas, crimes digitais, lavagem de dinheiro e ocupação de territórios — exige atuação federativa coordenada, integração e acesso a dados qualificados, estrutura de proteção contra crimes cibernéticos e produção de conhecimento para embasar decisões e políticas públicas em evidências. Não somos condescendentes com o crime organizado”, diz o texto. A prévia do programa de governo afirma que “prevenção sem repressão deixa o crime organizado agir sem consequências”. “A combinação inteligente dos dois é o que funciona. É isso o que este governo está construindo com seriedade e cooperação com os governos estaduais, em vez de recorrer a discursos de efeito que soam duros, mas não entregam resultados”, afirma, criticando em seguida “bravatas” apresentadas pela oposição. “O crime organizado, incluindo as milícias, é o desafio central da segurança pública brasileira”, registra o texto. “Esse crime não é combatido com operações espetaculares que prendem soldados enquanto as lideranças e os recursos permanecem intactos: é combatido com inteligência que mapeia estruturas e fluxos financeiros, com investigação que alcança os ativos que sustentam as organizações e com cooperação internacional que interrompe as conexões transnacionais que tornam o crime local parte de uma rede global.” Entre as propostas apresentadas, estão o “mapeamento criminal em tempo real”; “a cooperação com os países vizinhos e organismos internacionais no combate ao crime organizado transnacional, ao tráfico de armas e de drogas e ao crime cibernético”, e “ampliar e qualificar o combate aos crimes organizados, ambientais e cibernéticos, desarticulando suas redes de financiamento e suas rotas transnacionais, com ações adaptadas à complexidade da transformação digital e às especificidades regionais.” De olho no público jovem No evento organizado para apresentar a plataforma, o coordenador do programa de governo de Lula e ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, ressaltou a preocupação da pré-campanha com os jovens com menos de 30 anos. Gabrielli disse que a pré-campanha criou um grupo voltado para escutar as demandas de pessoas com menos de 30 anos. Esse grupo será liderado pela vereadora de São Paulo Luna Zarattini (PT), pré-candidata a deputada federal. “[Precisamos] Discutir o mundo que eles querem, capturar o que a juventude está pensando”, disse. A uma plateia composta de militantes históricos de partidos de centro-esquerda, Gabrielli afirmou que a pré-campanha precisa olhar par ao futuro. “Estou vendo muitos cabelos brancos aqui, mas precisamos pensar no futuro”. Entre os presentes no evento, estavam o presidente nacional do PT, Edinho Silva, a ex-ministra e pré-candidata ao Senado por São Paulo Marina Silva (Rede), o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e o dirigente do PSB Carlos Siqueira. Pré-campanha de Lula (PT) à reeleição destaca segurança pública e combate ao crime organizado na prévia do programa de governo — Foto: Cristiane Agostine/Valor
Após decisão do governo Trump, pré-campanha de Lula mira segurança e combate ao crime organizado
Prévia do programa petista, lançada nesta sexta (29), diz que Lula “não é condescendente com o crime organizado e as facções criminosas” e defende “ampliar e qualificar” enfrentamento ao crime















