Em evento, pré-candidato do PL retoma ações defendidas pelo bolsonarismo e tenta associar Lula à imagem de conivente com criminalidade Senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro apresenta medidas para segurança pública; pré-candidatos Guilherme Derrite (à esq.) e Sergio Moro também participam — Foto: Vittor Sales/Divulgação O senador e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, apresentou 12 medidas para a segurança pública que podem virar propostas de campanha e condicionou a implementação de parte delas ao apoio do Congresso Nacional, já que envolvem mudanças na legislação. O lançamento do plano, nesta quinta-feira (18), ocorreu em meio aos esforços da pré-campanha do senador para contornar a crise provocada pela ligação do nome de Flávio ao escândalo do Banco Master, o que o prejudicou nas pesquisas. Batizado de plano "Brasil sem Medo", o conjunto de sugestões foi detalhado por Flávio e por dois aliados ligados à área, o senador Sergio Moro (PL), ex-juiz, ex-ministro da Justiça no governo Jair Bolsonaro e pré-candidato ao governo do Paraná, e o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário da Segurança Pública da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo e pré-candidato ao Senado. As medidas do plano retomam propostas que o senador e seus aliados já vinham defendendo, como: endurecimento de penas para criminosos, redução da maioridade penal e castração química para condenados por estupro e abuso infantil, além de integração de forças de segurança para controle de fronteiras, construção de presídios e uso de tecnologia e inteligência artificial para prevenção e combate à criminalidade. A primeira ação citada no documento é a intenção de Flávio de, caso eleito, declarar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV), milícias e todas as outras facções "como organizações narcoterroristas". No mês passado, o governo dos Estados Unidos anunciou a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, uma iniciativa que tem o apoio do pré-candidato do PL. Ao longo da apresentação, Flávio cobrou o apoio do Congresso para avançar com parte das propostas, mas disse que, se vencer as eleições de outubro, pretende usar a "força de um presidente recém-eleito" para impulsionar a aprovação. Ele também falou aos apoiadores sobre a necessidade de eleger deputados federais e senadores alinhados com a intenção de uma política de segurança mais rigorosa. "Precisamos mudar a Constituição, e vamos precisar de um Senado e uma Câmara integrados por parlamentares que apoiem essas pautas", discursou, ao defender a necessidade de acabar com a progressão de regime para quem comete crimes hediondos. Outras ideias expostas por ele estão na alçada das atribuições do Executivo, como a ampliação de convênios com Estados e municípios, a celebração de acordos de cooperação com outros países e a meta de dobrar investimentos federais em segurança pública. Flávio não respondeu a perguntas da imprensa após a apresentação das sugestões, que ele descreveu como "medidas urgentes". O pré-candidato do PL também incluiu pontos que interessam ao eleitorado feminino, segmento em que tem dificuldades para elevar seus índices de intenção de voto e baixar o percentual de rejeição. Ele falou em adotar "tolerância zero para o feminicídio", com ações como o monitoramento de agressores por tornozeleira eletrônica e mudanças na legislação para obrigá-los a cumprir penas integralmente. Sobre a castração química (com substâncias que inibem a libido e a agressividade), Flávio disse que "já há diversos projetos tramitando no Congresso e só não vão para a frente porque não têm o apoio da Presidência da República". Ele se referiu ao autor desse tipo de crime como "vagabundo" e afirmou que "esse tipo de pessoa não pode continuar circulando livremente". A apresentação foi marcada por críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu potencial adversário. No palco, Flávio e seus aliados buscaram reforçar a mensagem de "conivência" do PT com a criminalidade e atribuir a situação atual do país aos anos do partido na Presidência, com ações que, segundo eles, foram na direção do "afrouxamento" de punições e do "desencarceramento". O discurso do senador, que busca atrair o eleitor que declara sentir medo da violência, privilegiou as críticas ao controle de territórios por organizações criminosas e abordou a questão dos furtos e roubos de celulares. O pré-candidato falou em "jogar duro" com quem comete esses crimes e revende os aparelhos. A ideia dele é que quem furtar ou revender celular furtado tenha a pena inicial quadruplicada, sem benefícios. "Mais uma alteração legal muito importante, que nós vamos ajudar a aprovar no Congresso Nacional", disse. Para divulgar o lançamento das propostas para a segurança, Flávio postou nesta semana nas redes sociais um vídeo, produzido com auxílio de inteligência artificial, em que aparece pilotando uma aeronave militar ao lado do pai, enquanto ataca embarcações identificadas com as siglas de PCC e CV. Ele também mira um barco com a sigla do PT, que foge mar adentro. O vídeo foi acompanhado da mensagem: "Na próxima quinta-feira eu vou dar uma péssima notícia para o CV, o PCC e o PT". No fim de sua exposição, Flávio citou a operação da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, em investigações ligadas ao caso do Banco Master, e disse que o PT está tendo um "péssimo dia". O presidenciável do PL também teve o nome envolvido no caso, após a divulgação de conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, nas quais pedia dinheiro para custear o filme sobre a vida do seu pai. "Esse plano é uma péssima notícia para o PCC, para o Comando Vermelho e para o PT, que hoje está tendo um dia pior ainda, porque o PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal, com a operação contra o líder do governo do PT no Senado Federal, Jaques Wagner. Isso é um alento de que a impunidade vai ser combatida", declarou Flávio. "Como nós sempre dizemos, o cerne de todo esse problema era o PT da Bahia, e agora começa a vir à tona", acrescentou, em alusão a negócios do Master no Estado que estão sob investigação. Mais cedo, pelas redes sociais, Flávio usou a operação contra Wagner para voltar a pedir a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar o escândalo do banco. Ele também usou a hashtag "PTMaster", buscando vincular o assunto ao partido do presidente Lula.