O pré-candidato à Presidência da República usou uma camiseta da seleção brasileira com o nome de Neymar, atacante ironizado por Lula na sexta-feira O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a dar ênfase a promessas da área de segurança pública como forma de se contrapor ao presidente Lula (PT), durante evento em São Paulo, neste sábado, que marcou o lançamento da pré-candidatura ao Senado do deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Alesp (Assembleia Legislativa). "Não vamos nos acostumar mais a viver com medo. Nós lançamos o programa 'Brasil sem Medo', porque quem tem que ter medo é vagabundo. É por isso que eu vou abrir mais de 500 mil vagas no sistema penitenciário para prender traficantes, narcoterroristas do Comando Vermelho, do PCC, de milícia e também o ladrão de celular", disse Flávio, que lançou um programa para segurança na quinta-feira (18). "Vou ser radical na segurança pública sim", acrescentou. Antes de ser ligado ao escândalo do Banco Master, Flávio evitava se apresentar como alguém radical e dizia que era um "Bolsonaro moderado". Neste sábado, telões nas entradas e nas laterais do salão exibiam figuras animadas por IA (inteligência artificial) do ex-presidente Jair Bolsonaro, para que os militantes pudessem tirar fotos com ele que cumpre pena em regime domiciliar, em Brasília, por ter liderado a trama golpista do fim de seu mandato. Bolsonaro foi citado no palco em meio aos discursos e um áudio gravado por ele na campanha de 2018 foi reproduzido. Em seu discurso de 20 minutos, o senador acusou o atual presidente de ser condescendente com criminosos e atribuiu ao governo a responsabilidade pelo escândalo da máfia do INSS. "Vamos virar a página de um governo que vai lá fora fazer lobby a favor do Comando Vermelho e do PCC. Nós vamos ter um governo para tratá-los como terroristas", disse. Flávio citou o fato de um dos irmãos do presidente, José Ferreira da Silva, o Frei Chico, ser vice-presidente de uma das entidades sindicais em que ocorreram os desvios, e citou a ligação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. "O filho do Lula sumiu do Brasil, recebeu mesada do Careca do INSS. O dinheiro do aposentado brasileiro pode estar na conta dele lá na Europa", afirmou. A Polícia Federal, que apura o escândalo do INSS, investigou supostos pagamentos do Careca a Lulinha, mas não encontrou provas de repasses ao filho de Lula. Flávio estava com uma camiseta da seleção brasileira com o nome de Neymar, atacante ironizado por Lula na sexta-feira (19), que o chamou de "jogador home office". O senador deixou o evento sem falar com a imprensa. A cerimônia em que Flávio discursou ocorreu em uma casa de eventos em Guarulhos, na região metropolitana, decorada com telões que exibiam a sigla do PL e o número do partido. A chapa bolsonarista em São Paulo formada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tentará a reeleição, além de André do Prado e Guilherme Derrite (PP), que devem disputar o Senado apresentou-se ao público. Em seu discurso, de cerca de 15 minutos, Tarcísio também fez críticas ao governo Lula, desta vez voltadas à área econômica. "A gente não está aproveitando as nossas vocações, nossos potenciais, a vocação da biotecnologia, a vocação da transição energética, da segurança alimentar, da economia do conhecimento. Estamos ficando para trás. Estamos empobrecendo em relação aos nossos pares e a gente pode mais." Lideranças nacionais da sigla, como o deputado federal Sóstenes Cavalcanti, o senador Rogério Marinho e o presidente Valdemar Costa Neto, compareceram, além das bancadas estaduais e federais do PL. O Espaço Inter, local do evento, tem capacidade para 7.000 pessoas e estava praticamente lotado. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), condenado a 4 anos e 2 meses de reclusão por tentar interferir no processo sobre a tentativa de golpe, apareceu em um vídeo para endossar a candidatura de André. Até 2025, o acordo negociado por PL, Republicanos, PP, PSD e União Brasil era que Eduardo concorresse ao Senado. Com a mudança dele para os Estados Unidos e a consequente perda de seu mandato, o filho do ex-presidente fez um acordo com André do Prado e lhe cedeu a vaga. Eduardo estava cotado para ser suplente de André, mas agora está inelegível. O partido sustenta que manterá a candidatura, apesar da inelegibilidade, e não indicou ainda um substituto. "O André é gente nossa e vai defender a anistia no Senado", disse Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, que deve concorrer à Assembleia Legislativa pelo PL. O ex-governador Rodrigo Garcia (Republicanos), derrotado por Tarcísio em 2022 e que depois se aproximou do atual governador, discursou a favor de André e Flávio e criticou o governo Lula: "Nosso país não pode mais continuar nas mãos do PT". Uma das músicas de campanha exibidas no evento trouxe o "olê, olê, olá" de Lula, mas, no lugar do nome do presidente, dizia o nome do senador. André do Prado, Tarcísio de Freitas, Flávio Bolsonaro e Guilherme Derrite no lançamento da pré-candidatura de Prado ao Senado, em Guarulhos — Foto: Reprodução/André do Prado no X
Com pai feito por IA em evento, Flávio promete ser radical na segurança pública
O pré-candidato à Presidência da República usou uma camiseta da seleção brasileira com o nome de Neymar, atacante ironizado por Lula na sexta-feira
Campanha usou figuras animadas por IA de Bolsonaro (evento 7 mil) sem disclosure de deepfake, integrando tecnologia não regulada em contexto eleitoral brasileiro. Para govtech: vácuo regulatório IA em campanhas cria risk crítico em compliance eleitoral, autenticidade e confiança institucional; trend preocupante na região.













