O presidente Lula (PT) criticou a articulação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, para que os Estados Unidos enquadrassem as facções brasileiras Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. As declarações foram proferidas nesta sexta-feira 29, durante uma solenidade no interior de Sergipe.

O anúncio sobre as facções partiu do secretário de Estado, Marco Rubio, dois dias após um encontro entre Flávio e o presidente Donald Trump, na Casa Branca.

Lula disse que seu adversário é um “traidor” e que Joaquim Silvério dos Reis (1756-1819), responsável por delatar Tiradentes na Inconfidência Mineira, “ficaria envergonhado se soubesse que tem um candidato a presidente que vai aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”.

O petista reconheceu que as facções são uma ameaça para a população brasileira, mas rejeitou a forma como o governo Trump encara o tema. Afirmou também que o Brasil não aceita ser tratado como “republiqueta” e que os norte-americanos podem contribuir com o combate ao crime, mas por meio de cooperação policial e extradição de brasileiros procurados pela Justiça.

“Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”, declarou o presidente, ao citar o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência Alexandre Ramagem e o empresário Ricardo Magro. “Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta.”