Um dos relatórios usados pelos investigadores para a deflagração a Operação Fluxo Oculto, nesta quinta-feira (28), indica que Lucas Tomé Assunção é o contador da organização criminosa comandada por Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", um dos chefes do esquema bilionário de fraudes, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial no setor de combustíveis. Ele foi alvo de mandados de busca e apreensão. De acordo com a investigação, Lucas não figurava como liderança formal da estrutura, mas exercia uma função estratégica: era ele quem viabilizava, na prática, a engrenagem contábil e bancária que sustentava o esquema. Os investigadores o descrevem como um "braço operacional financeiro" de Mohamad, responsável por gerenciar a contabilidade, coordenar a movimentação de recursos e administrar contas em fintechs. A reportagem teve acesso a uma imagem de um aparelho celular do contador que reforça, segundo os investigadores, a proximidade entre Lucas e a cúpula do grupo. Nela, aparece uma chamada de vídeo intitulada "reunião de alinhamento", na qual ele mantém contato direto com Mohamad, que é identificado pelo pseudônimo João (veja acima). Este registro é considerado um dos indícios de que a relação entre os dois era direta, constante e imediata. Operação Fluxo Oculto investiga lavagem de dinheiro do ramo de combustíveis por fintechs As conversas analisadas pela investigação também indicam que Lucas teria se refugiado no Rio de Janeiro entre 19 e 30 de agosto de 2025, após o vazamento da Operação Carbono Oculto, primeira fase da ofensiva contra o esquema. O que fazia o contador do grupo Segundo os relatórios, Lucas Tomé Assunção era o responsável por operacionalizar a estrutura financeira da organização. Isso incluía o gerenciamento de empresas do grupo – inclusive empresas de fachada –, abertura e encerramento de contas em instituições de pagamento, organização de documentação societária e bancária e intermediação de contratos com fintechs. Na prática, cabia a ele fazer a ponte entre as empresas controladas pelo grupo e o sistema financeiro usado para movimentar recursos. Ele também intermediava autorizações, contratos e assinaturas digitais necessárias para a abertura de contas e para a manutenção das operações, garantindo que o fluxo financeiro continuasse funcionando mesmo após ações policiais e fiscais. LEIA TAMBÉM: Um dos episódios citados pela investigação envolve a centralização das operações de 56 postos de combustíveis em uma conta única mantida em fintech. A investigação aponta ainda que Lucas centralizava o fluxo de caixa, os rateios internos, os controles administrativos e a migração de recursos entre diferentes fintechs, como Ceopag, Sispay e America Payment. Gaeco e Receita Federal deflagraram a Operação Fluxo Oculto após investigações sobre esquema criminoso — Foto: Divulgação/Receita Federal
Quem é o contador da organização criminosa alvo de operaração em SP | G1
Investigação aponta que Lucas Tomé Assunção atuava como operador financeiro do grupo de Mohamad Hussein Mourad na gestão de contas, empresas e fluxos de dinheiro ligados a esquema.














