A menstruação é um processo natural vivido por milhões de meninas, mulheres e pessoas que menstruam. Tratá-la apenas como questão biológica ignora seus impactos sociais, econômicos, raciais e políticos. No Brasil, falar em dignidade menstrual é discutir saúde pública, permanência escolar, pobreza, desigualdade territorial e cidadania. Não se trata apenas de absorventes, mas também de acesso à água tratada, saneamento básico, banheiros adequados e informação qualificada.
Estudo publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) mostrou que mais de 4 milhões de meninas em idade escolar conviviam com privação menstrual, enquanto cerca de 713 mil estudavam sem estrutura mínima de higiene.
Nesta quinta-feira (28), Dia Internacional da Dignidade Menstrual, é necessário reforçar que a pobreza menstrual tem cor, território e classe social: atinge principalmente meninas negras, indígenas, quilombolas, periféricas e moradoras de áreas rurais e favelas.
A criação do Programa de Proteção e Promoção da Saúde e Dignidade Menstrual, instituído pela lei 14.214/2021, foi resultado da pressão de movimentos feministas, organizações da sociedade civil e campanhas. Nesse processo, a Girl Up Brasil contribuiu para ampliar o debate nacionalmente Mesmo após a sanção da lei, a implementação demorou.












