A dificuldade de acesso a fraldas, banheiros adaptados, água encanada e orientação adequada sobre cuidados básicos tem empurrado milhares de brasileiros, sobretudo idosos, para uma condição invisível de vulnerabilidade: a pobreza de higiene.

O tema, ainda pouco debatido no país, foi discutido na última segunda-feira (1º), em encontro realizado na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na capital paulista, que reuniu pesquisadores, profissionais da saúde e gestores públicos.

A proposta é que a incontinência urinária deixe de ser tratada como constrangimento privado e passe a integrar a agenda pública de envelhecimento e promoção da saúde.

"Precisamos de uma nova conversa social", afirmou à Folha o pesquisador britânico Peter Lloyd-Sherlock, especialista em envelhecimento e em políticas de saúde para pessoas idosas em países de baixa e média renda.

Segundo ele, o silêncio em torno da incontinência reproduz um estigma semelhante ao que cercava a pobreza menstrual até poucos anos atrás. "Hoje já conseguimos falar publicamente sobre higiene menstrual. Há 20 anos isso seria impensável. Com a incontinência, nem começamos", disse.