PUBLICIDADE Especialistas reunidos no lançamento do Money Lab, da FGV, dizem que maior acesso ao crédito, baixa poupança e incerteza econômica ajudam a explicar o aumento do estresse financeiro O endividamento das famílias está no maior patamar — Foto: Michal Jarmoluk/Pixabay RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/05/2026 - 12:26 Cresce endividamento e estresse financeiro afeta produtividade no Brasil O aumento do endividamento das famílias brasileiras tem gerado estresse financeiro, afetando a produtividade no trabalho, conforme discutido no lançamento do Money Lab da FGV. Com 67% dos brasileiros endividados, a combinação de maior acesso ao crédito e incerteza econômica contribui para a baixa poupança e alta inadimplência. O Money Lab visa promover a educação financeira, enquanto especialistas alertam para os impactos diretos na qualidade de vida e produtividade. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O aumento do endividamento das famílias tem ampliado os impactos do estresse financeiro sobre a produtividade no trabalho. Esse foi um dos temas que economistas levantaram durante o lançamento do Money Lab, novo hub de finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo. Dois em cada três brasileiros (67%) têm algum tipo de dívida financeira, como empréstimos, segundo pesquisa Datafolha de abril. O levantamento revela ainda que 21% da população está com pagamentos em atraso, evidenciando o avanço da inadimplência no país. Segundo especialistas, a combinação entre maior bancarização, expansão do acesso ao crédito e um ambiente de incerteza econômica ajuda a explicar por que os brasileiros seguem poupando pouco, um comportamento associado ao que chamam de “taxa de impaciência”, a tendência de priorizar o consumo imediato diante da imprevisibilidade do futuro. O Money Lab pretender ampliar conversas entre academia, empresas e pessoas sobre finanças pessoais por meio de cursos, eventos, conteúdo e parcerias. Professor de finanças da FGV e um dos fundadores do Money Lab, Fábio Gallo disse que o projeto responde à demanda crescente das empresas por programas de educação financeira voltados aos colaboradores. — Não existe família brasileira ou empresa imune a esse problema. Isso gera estresse financeiro, endividamento, baixa qualidade de vida e impacto negativo de produtividade, o que obviamente traz consequências para as organizações: menor engajamento, aumento do absenteísmo e risco na cadeia de clientes e fornecedores. O turnover das empresas tem aumentado substancialmente e acreditamos que seja também por esse motivo. Fernando Honorato Barbosa, economista-chefe do Bradesco, complementou que a saúde financeira ainda recebe pouca atenção diante dos impactos diretos sobre a rotina de trabalho e a qualidade de vida das famílias. — O sujeito está preocupado, não consegue pagar as contas no final do mês e trabalha pior. Vai ter um segundo emprego, um terceiro emprego, e isso significa menos horas de repouso. Ele complementa que, apesar do aumento da renda, as famílias seguem com o consumo fragilizado, já que parte desse dinheiro extra acaba comprometida com o pagamento de dívidas e juros elevados. Segundo ele, outro conceito importante para entender o endividamento é a chamada “taxa de impaciência”, que mede o quanto as pessoas estão dispostas a poupar. — Se eu tiver uma taxa de desconto do futuro muito grande, quero consumir tudo hoje já que não sei o que vai acontecer amanhã. Se não sabemos se vamos sobreviver a uma pandemia, queremos consumir tudo hoje. A pergunta de um trilhão, que eu não tenho a resposta, mas eu tenho algumas especulações, é por que essa taxa de impaciência é tão alta no Brasil? Para Honorato, a maior imprevisibilidade econômica do país ajuda a explicar esse comportamento. Ele questionou também a proposta do governo de conceder crédito para motoristas de táxi e aplicativos em meio a taxas de endividamento já altas. O programa deve ter um volume de até R$ 30 bilhões em recursos financeiros do Tesouro Nacional. — As famílias se endividam, o governo faz programas para que elas se desendividem, mas concede crédito direcionado. Já que a taxa está alta, deixa eu dar um dinheiro mais barato para as pessoas poderem comprar carros, por exemplo. Isso vai virando um circuito que é complicado de sair. Ana Paula Vescovi, diretora de macroeconomia do Santander Brasil, afirmou que existe hoje uma contradição importante na economia brasileira: mesmo com juros elevados, o crédito continua avançando, o que reduz a potência de um dos principais mecanismos de transmissão da política monetária. — O aprofundamento do mercado financeiro e de crédito no Brasil aconteceu de forma paralela a um aperto de condições financeiras e a uma sustentação do mercado de trabalho, que está levando a essa situação atípica de ter aperto monetário muito forte, mas sem contração de crédito.
Endividamento elevado afeta produtividade no trabalho, dizem economistas
Especialistas reunidos no lançamento do Money Lab, da FGV, dizem que maior acesso ao crédito, baixa poupança e incerteza econômica ajudam a explicar o aumento do estresse financeiro














