Os resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) das licenciaturas, divulgados pelo Ministério da Educação na semana passada, mostram que parte significativa dos futuros professores tem conhecimento precário sobre sua área de atuação.
Foram avaliados 4.948 cursos das redes pública e privada, sendo 1.314 na modalidade de educação a distância. Destes, 51,9% (685) obtiveram os conceitos 1 e 2, numa escala de 1 a 5. Nas instituições particulares, 52,9% dos cursos nessa modalidade obtiveram conceito 1 e 2; nas universidades públicas, 47,2%. Já nas graduações presenciais, o cenário é um pouco melhor, com 28,8%.
Isso significa que 53% dos concluintes de licenciaturas (155,5 mil) se formaram em cursos a distância com nota insatisfatória. Nesse grupo, 97,5% (151,7 mil) estudaram na rede particular.
Para piorar, apenas 33% dos formados em letras (português-inglês) e matemática por meio de EAD que realizaram o exame apresentaram conhecimento acima do básico —só a licenciatura em música tem desempenho pior. No ensino superior presencial, a situação não melhora muito, com 57% em português-inglês e 53% em matemática.
Tais disciplinas são os pilares da formação escolar porque impactam o aprendizado de todas as outras, e o desempenho do Brasil em ambas é baixo e pouco evoluiu nas últimas décadas.














