Prova para alunos de licenciatura verificou que 42% estão abaixo do nível básico necessário para lecionar Enade das Licenciaturas detectou problemas na formação de professores — Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil São alarmantes os resultados recentes sobre o desempenho de alunos de cursos de licenciatura. Sem professores minimamente capacitados, não há escola bem equipada nem ferramenta digital de última geração que consiga elevar o nível da educação no país. De acordo com o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) das Licenciaturas, 42,2% dos estudantes nesses cursos estão abaixo do patamar considerado básico, 37,5% no limite desse nível e apenas 20,2% no nível adequado. Em matemática, crucial nas carreiras de tecnologia e engenharia, os resultados são ainda piores, com meros 5,6% atingindo o nível adequado. Quem puxa as médias para baixo são os estudantes de licenciatura da educação à distância (EAD). Mais da metade está abaixo do nível básico. Apenas 12% apresentam nível adequado. A ideia de que cursos de licenciatura à distância, responsáveis por 70% da oferta de vagas, acelerariam a capacitação de professores para enfrentar os desafios da educação se mostrou uma quimera. Dos matriculados em cursos de matemática no EAD, 67% estão abaixo do nível básico. Em pedagogia, 54%; em letras/português, 47%; e em História, 40%. “Mais de 60% dos estudantes em cursos de licenciatura à distância estão matriculados em cursos nos quais nem 50% dos estudantes atingem o corte mínimo estabelecido”, diz avaliação da ONG Todos Pela Educação. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve o mérito de mudar os critérios de avaliação para obter um retrato mais fiel da situação. Os testes deixaram de ser genéricos, passaram a medir fatores ligados ao exercício da docência e a ser anuais. No ano passado, um decreto oportuno proibiu a formação de licenciados em cursos 100% à distância. Mas ainda persiste o risco de retrocesso nas normas sobre o aumento das aulas presenciais. A questão está em discussão no Conselho Nacional de Educação e sofre forte resistência do setor privado. O MEC ainda não se posicionou de forma contundente. Embora a educação presencial conte com melhor desempenho — 75% acima do básico em pedagogia, 73% em letras/português e 89% em História —, ela também apresenta deficiências. Em matemática, 46% não atingem a proficiência mínima. No total, apenas três em dez alunos apresentam desempenho adequado. Quarenta e dois por cento estão no limite do nível básico e 26% abaixo dele. A Todos Pela Educação sustenta que os resultados tornam premente a necessidade de fortalecer políticas de formação inicial. “Embora o Enade das Licenciaturas/Prova Nacional Docente ainda esteja em consolidação e apresente limitações, os resultados indicam fragilidades que requerem respostas estruturais do poder público”, afirma. É obrigação do Ministério da Educação promover as mudanças necessárias e intervir nas instituições com desempenho abaixo do aceitável para resgatar a qualidade do ensino no Brasil.
Ensino à distância deteriora qualidade dos professores no Brasil
Prova para alunos de licenciatura verificou que 42% estão abaixo do nível básico necessário para lecionar













