O estudante Rafael, de 17 anos, sonha em cursar Psicologia. Faltando poucos meses para o Enem 2026, passaporte para o ensino superior público, o clima é de angústia. Ainda que frequente as aulas regularmente, o adolescente – que cursa o 3º ano do Ensino Médio em uma escola da rede estadual de São Paulo – não se sente preparado para o exame.
A sensação de despreparo, diz, não vem da falta de esforço individual. Vem da própria organização da escola após as mudanças do Novo Ensino Médio. Com a implementação dos itinerários formativos, Rafael afirma ter visto encolherem disciplinas que considera centrais para o exame e para os vestibulares, como Geografia, Sociologia, Filosofia e Biologia. Em seu lugar, ganharam espaço componentes mais alinhados aos itinerários e a conteúdos como empreendedorismo.
Rafael escolheu se aprofundar no itinerário de Exatas, mas diz que não imaginava que a opção implicaria uma redução tão grande de conteúdos básicos. “Enquanto eu tenho seis aulas de Matemática por semana, História foi reduzida a duas vezes”, lamenta. Para tentar compensar as lacunas, o jovem passou a estudar por conta própria e já considera procurar um cursinho popular.
Histórias como a de Rafael já foram contadas por CartaCapital em outras ocasiões. Agora, os relatos de estudantes e professores sobre a precarização da rede paulista ganham corpo em um documento que organiza essas experiências e aponta responsabilidades políticas. Trata-se do relatório A plataformização e a privatização da educação como violação de direitos na rede estadual paulista, lançado recentemente pela Plataforma Dhesca Brasil, uma rede formada por 53 entidades da sociedade civil.













