A divulgação dos resultados do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) trouxe números que confirmam uma preocupação antiga: o Brasil ampliou o número de escolas médicas e de estudantes sem garantir condições adequadas de formação. O resultado é alarmante. Somente em 2025, cerca de 13 mil formandos apresentaram desempenho insatisfatório e estão prestes a iniciar a prática médica. A pergunta inevitável é simples: quem assumirá o risco dessa formação deficiente? A resposta também é simples: a sociedade.

A maior parte desses novos médicos atuará em clínicas vinculadas a planos de saúde ou no Sistema Único de Saúde (SUS), onde o paciente não escolhe o profissional que o atenderá. Em muitos casos, resta apenas aceitar o médico disponível. As consequências tendem a aparecer rapidamente. Consultas menos resolutivas aumentam a solicitação de exames complementares, elevando os custos do sistema de saúde. Falhas no exame físico e no raciocínio clínico favorecem erros diagnósticos e tratamentos inadequados. O impacto não é apenas econômico, mas também humano.

Compreender o problema exige reconhecer que a responsabilidade não é exclusiva das faculdades. A medicina tornou-se um curso altamente atrativo não apenas por vocação, mas também pela segurança de inserção profissional imediata. Diferentemente de outras carreiras, o médico recém-formado encontra ampla oferta de trabalho, especialmente em plantões e de imediato atinge a remuneração média da classe, mesmo sem especialização ou avaliação formal de suas competências.