Quase metade das redes municipais de ensino do país já implementa estratégias de letramento matemático na Educação Infantil, segundo pesquisa inédita do Itaú Social e da Undime. O levantamento, realizado com 2.712 municípios — cerca de 49% das redes brasileiras — mostra que 48% das cidades desenvolvem ações estruturadas na área, enquanto 76% já promovem práticas voltadas à leitura e à escrita. O estudo aponta avanços na organização pedagógica da Educação Infantil, mas também revela desigualdades e dificuldades de implementação. Entre as práticas mais consolidadas estão o contato das crianças com o meio ambiente (62%), a formação continuada de professores (58%) e ações de acesso e permanência escolar (56%). Apesar disso, desafios persistem. Questões como infraestrutura escolar, inclusão de crianças com deficiência e uso de tecnologias pelos professores ainda dificultam a ampliação das estratégias pedagógicas. A infraestrutura das unidades é apontada por 23% dos gestores como principal obstáculo da etapa. A pesquisa também mostra fragilidades na transição para o Ensino Fundamental: apenas 29% das redes afirmam realizar planejamento conjunto entre a Educação Infantil e os anos iniciais, enquanto parte significativa ainda não adota estratégias articuladas de acompanhamento dos estudantes. Outro destaque é o apoio dos governos estaduais. Embora 80% das redes relatem receber suporte para formação de professores, apenas 27% contam com assistência financeira, enquanto 81% dizem precisar desse tipo de apoio. “A educação infantil é responsabilidade dos municípios, mas eles estão em consonância ou recebem apoio dos outros entes”, afirma Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social. Para ela, o Estado tem um papel fundamental em ajudar os municípios técnica e financeiramente para ofertar uma educação infantil de qualidade. Na organização curricular, 63% dos municípios utilizam a matriz curricular estadual e cerca de 78% afirmam que as escolas adaptaram os Projetos Político-Pedagógicos (PPPs) às diretrizes adotadas. Ainda assim, 37% relatam dificuldades para revisar os documentos conforme a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O fato de 48% das redes desenvolverem estratégias específicas para o letramento matemático “reforça o caráter educativo, e não só do cuidado”, comenta Dias. “As crianças vão para a escola para brincar, para fazer atividades lúdicas, mas também para aprender.”
Letramento em matemática avança na educação infantil
Estudo aponta avanços na organização pedagógical, mas revela desigualdades e dificuldades de implementação











