Quando, em Junho do ano passado, se soube que o antigo “número dois” do PSOE e um dos braços direitos de Pedro Sánchez, Santos Cerdán, estava acusado de corrupção, crime organizado e tráfico de influências, o Governo espanhol tremeu.No centro da investigação judicial estava uma suposta rede de corrupção dentro do partido, que além de Cerdán – que terá tido um papel de “proeminência” de acordo com o juiz — envolvia ainda o antigo ministro dos Transportes José Luís Ábalos, e o seu assessor, Koldo García. Os três estariam envolvidos em pelo menos um caso de manipulação de concursos para obras públicas, o da construção de um túnel em Navarra.Assim que se soube da investigação, Santos Cerdán deixou todos os cargos no PSOE e o seu assento no Congresso. Mas o mal estava feito – o caso afectou a imagem pública de um presidente do Governo que se viu forçado a admitir o erro de ter confiado na pessoa errada, mesmo que não estivesse pessoalmente implicado na investigação. Como resposta, levou a cabo uma reestruturação do partido e refugiou-se na alegação de que as contas estavam limpas, mas não se demitiu nem antecipou eleições.A investigação por suspeitas de crimes de corrupção a Ábalos e Koldo Garcia, no entanto, já era mais antiga: começou em Fevereiro de 2024 e partiu de uma suspeita de corrupção na compra de máscaras durante a pandemia de covid-19. Só que depressa se percebeu que isso seria apenas um pormenor: os dois teriam saído beneficiados economicamente da adjudicação de grandes obras públicas. O caso deu uma arma política à oposição que refere várias vezes o “grupo do Peugeot” para atacar o presidente do Governo, referindo-se ao período em que os três percorreram Espanha de carro, em 2017, antes das primárias que permitiram que Sánchez voltasse ao PSOE.A juntar a isso, embora com um peso político muito menos relevante, existe também uma investigação ao irmão de Sánchez, David (que usa como nome artístico David Azagra), por possíveis delitos de prevaricação administrativa e tráfico de influências, ao ter sido contratado pela província de Badajoz para coordenador de actividades dos conservatórios de música — um lugar que terá sido criado para ele sem seguir os procedimentos habituais da contratação pública.