"Em Tijuana é mais barato se drogar do que comer", conclui o jornalista argentino Leonardo Tarifeño, radicado no México há mais de uma década, ao fim de uma conversa em um café no centro de São Paulo.

Falava com certa angústia sobre a dificuldade que teve para escrever "Não Volte", livro em que reúne histórias de mexicanos deportados dos Estados Unidos. Especialista em música e cultura, Tarifeño diz ter se sentido deslocado no início, mas conta ter passado um ano acompanhando com o coração na mão as histórias de vidas interrompidas pela necessidade de migrar.

Tenho a sorte de conhecer esse talentoso colega desde antes de ele trocar Buenos Aires pela Cidade do México. Durante anos, muitas de nossas conversas giraram em torno do exílio, da sensação de estar fora do lugar, do que pode ser considerado o lugar de uma pessoa no mundo. Via em Leonardo o exemplo de um imigrante decidido, alguém para quem a saudade ou o desenraizamento pareciam temas superados.

Hoje tenho diante de mim um escritor maduro, agora profundamente marcado pela questão dos deslocados, de gente empurrada para longe de casa pela fome, pela violência, pela necessidade econômica ou simplesmente pela impossibilidade de continuar vivendo onde nasceu.