O cinema americano clássico tinha uma fórmula infalível para evitar que seus vilões mais simpáticos fossem presos no fim do filme e pagassem por seus crimes. Era só filmá-los atravessando um marco —a fronteira— onde se via, ao lado de um pujante cacto e de um sujeito roncando sob um sombrero, uma placa dizendo "México". Ou seja, passando para o lado de lá, não apenas os bandidos americanos se viam livres da Justiça como se refugiavam num país habituado a abrigar bandoleiros e que os tratava muito bem. Os mexicanos, como é natural, se magoavam com aquilo.

Uma saída mais sofisticada era fazer com que os bandidos fugissem na cena final para a South America, leia-se o Rio, a única cidade que eles conheciam. Um dos primeiros e ainda o melhor filme a mostrar isso foi "O Homem que se Vendeu" ("The Great McGinty"), de 1940, de Preston Sturges. Trata de dois políticos, Brian Donlevy e Akim Tamiroff —um que nunca foi corrupto exceto por um minuto e outro que sempre foi, exceto também por um minuto—, que escapam da lei e vêm ser felizes como garçons num botequim carioca.

Referências ao Brasil como um paraíso para foragidos eram tão comuns no cinema que Ronald Biggs, autor do famoso assalto a um trem pagador inglês em 1963, acreditou nisso, veio para cá e se deu muito bem, queridíssimo em Santa Teresa. Tivemos também nazistas, mafiosos, ditadores e toda sorte de pilantras, nem tão queridos.