PUBLICIDADE Ator norte-americano, que interpretou Jair Bolsonaro no filme Dark Horse, deixou as filmagens dias antes do fim devido a temores e foi substituído por dublê Mário Frias no set de Dark Horse ao lado de Jim Caviezel — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/05/2026 - 19:26 Jim Caviezel teme ataques durante filmagem do filme "Dark Horse" no Brasil O ator Jim Caviezel, que interpretou Jair Bolsonaro no filme "Dark Horse", manifestou preocupações com sua segurança durante as filmagens no Brasil, temendo facadas reais e exigindo um plano de evacuação após um alerta de Donald Trump sobre a Venezuela. O filme, patrocinado por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master preso por corrupção, gerou tensões nos bastidores com rígidas medidas de segurança. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ator norte-americano Jim Caviezel, que interpretou Jair Bolsonaro no filme ‘Dark Horse’, expressou diversas preocupações com a segurança pessoal e demandou cuidados extras que chamaram a atenção da equipe de filmagem durante as semanas em que esteve no Brasil para participar do projeto, segundo relatos de integrantes do longa-metragem ao GLOBO. As precauções levaram o ator a deixar as gravações dias antes do fim e ser substituído por um dublê. O filme teve patrocínio do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso sob acusações de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa, táticas de intimidação, coerção e outros crimes. Jim teria chegado ao Brasil cerca de dez dias após o início das filmagens e permanecido por volta de seis semanas no país. Durante as gravações, a equipe do ator normalmente incluía dois seguranças norte-americanos e dois brasileiros. Descrito como avesso a interações, ele pouco conversava com os profissionais brasileiros no set — a produção contava com trailer de apoio para o astro se resguardar entre as atuações, além de ‘stand-ins’ para ensaiar a cena no lugar dele durante as preparações. Segundo relatos ao GLOBO, o clima nos bastidores, desde o início, era marcado por um temor generalizado ligado à segurança por conta da natureza política do projeto. “Temiam que o MST invadisse o set, coisas desse tipo”, conta um integrante da equipe. Caviezel, apurou o GLOBO, ficou especialmente assustado após assistir às notícias da megaoperação policial no Rio de Janeiro, em outubro, que deixou 122 mortos. A Go Up Entertainment, responsável pelo filme, enviou uma nota à reportagem sobre o tema. "De fato, Jim Caviezel demonstrou preocupação com o cenário de polarização política envolvendo o contexto retratado pelo filme, especialmente após o atentado sofrido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e diante do ambiente de forte tensão política internacional existente naquele período. Como ator norte-americano de grande notoriedade internacional e já associado a produções politicamente sensíveis e de forte repercussão mundial, Caviezel possui protocolos rigorosos de segurança pessoal definidos por sua própria equipe", diz o texto. Uma das precauções tomadas pelas equipes de segurança do filme eram as revistas quase diárias dos integrantes do set, onde era proibido, entre outras coisas, a presença de telefones celulares. O Hospital Indianápolis, que serviu como cenário da internação de Bolsonaro, era frequentemente isolado pelo time de segurança de Dark Horse e tinha equipamentos de reconhecimento facial para permitir a entrada no ambiente de gravações. Ao menos 15 pessoas registraram reclamações no Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo (Sated-SP) relatando, entre outros problemas, revistas pessoais constrangedoras no set. Um integrante da equipe relata que as revistas estavam ligadas aos temores de Caviezel. “Ele expressava medo de receber uma facada de verdade durante a gravação da cena da facada em Bolsonaro. Por isso a exigência de que todos os figurantes fossem sempre revistados”, conta o profissional. A cena da facada foi rodada na última semana de filmagem, concluída em 7 de dezembro. O cenário era o centro de São Paulo, que, segundo relatos, não inspirava segurança entre os norte-americanos da equipe. Além disso, outro destaque do noticiário fez aumentar a tensão no entorno de Caviezel. No dia 3, o presidente norte-americano, Donald Trump, emitiu um comunicado orientando cidadãos do país a deixar a Venezuela "imediatamente" — ele invadiria a nação sul-americana em 3 de janeiro. O alerta deixou Caviezel com temores ainda mais elevados. De acordo com a equipe, o ator exigiu que se elaborasse um plano de evacuação para que ele deixasse o Brasil “por terra, ar e mar” se fosse necessário. A fonte relata que o planejamento chegou a ser executado pela produção do longa-metragem. "Acho que ele pensou que a Venezuela era aqui perto", brinca o integrante do projeto. “Ele quis ir embora no mesmo dia (que Trump emitiu o comunicado)”, relata o profissional ouvido pelo GLOBO. O diretor Cyrus Nowrasteh, porém, convenceu o astro a permanecer no Brasil naquele momento. Mas Caviezel acabou indo embora do Brasil dias antes do final das gravações, de modo que algumas cenas foram concluídas com dublês e figurantes. "Após manifestações públicas do então presidente Donald Trump recomendando atenção redobrada de cidadãos americanos em determinados cenários internacionais da América Latina, a equipe de segurança do ator optou por antecipar seu retorno aos Estados Unidos como medida preventiva", diz a nota da Go Up. "A produção respeitou integralmente as decisões tomadas pela equipe de segurança privada do ator, assim como é comum em grandes produções internacionais envolvendo talentos de Hollywood. Em razão dessa adequação logística, algumas cenas complementares foram finalizadas com recursos técnicos usuais da indústria cinematográfica, incluindo dublês e ajustes de cronograma, prática absolutamente normal em produções de grande porte", diz a produtora. A Go Up não comentou pontualmente o plano de evacuação e o temor da facada real, embora tenha sido demandada sobre isso. O GLOBO procurou os agentes que representam Carviezel nos Estados Unidos para comentar os bastidores do set, mas não teve retorno — o espaço está aberto a manifestações.