Segundo o relato registrado no boletim de ocorrência, a confusão ocorreu durante uma revista feita na entrada do set de filmagem. Ele afirmou que os atores estavam sendo revistados por homens apresentados como policiais “por ser uma gravação estrangeira”. De acordo com o boletim, o ator contou que segurava uma blusa quando um integrante da equipe, descrito por ele como "um americano", puxou a peça de sua mão e pediu que ele deixasse o local. O homem afirma ainda que foi chamado de “ladrão” e conduzido até a saída por seguranças. Ainda segundo o registro, o ator precisou retornar ao set para buscar pertences e trocar de roupa. Neste momento, ele afirma que um dos seguranças passou a encará-lo e apontar o dedo em sua direção. Memorial da América Latina — Foto: Reprodução/TV Globo “Nisso eu só levantei a mão para pedir pra ele se afastar um pouco, e ele deu um tapa na minha mão. Aí eu o empurrei para sair de cima de mim, nisso ele voltou e me deu um soco no rosto e testa”, diz trecho do boletim. Um documento médico da UPA que atendeu o homem, obtido pela GloboNews, aponta um “pequeno ferimento de menos de 1 centímetro na região frontal da cabeça”. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que tem um inquérito aberto para investigar o caso. Procurada pelo g1, a produtora Go Up Entertainment não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem. Irregularidades O inquérito foi instaurado no final de janeiro para apurar a suspeita de irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões para implantar pontos de wi-fi público. O acordo entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) da gestão Ricardo Nunes (MDB) e a ONG prevê instalação, operação e manutenção de 5 mil pontos de acesso à internet na periferia paulistana pelo prazo de 12 meses. O Instituto Conhecer Brasil tem como única sócia a empresária Karina Ferreira Gama, que também é sócia única da empresa Go Up Entertainment LTDA, produtora do filme. As duas empresas funcionam no mesmo endereço, na Avenida Paulista, Centro de SP (entenda mais abaixo.) Jim Caviezel no pôster de 'Dark Horse' — Foto: Reprodução/Instagram/therealjimcaviezel O inquérito foi instaurado pelo promotor Ricardo de Barros Leonel, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, após denúncia do vereador Nabil Bonduki (PT). Segundo o petista, há indícios de irregularidades no chamamento público e na execução do contrato pela empresa de Karina Gama. Procurada, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia informou a contratação foi realizada por meio de chamamento público transparente e sem contestações. O g1 procurou a Prefeitura de SP e a ONG Instituto Conhecer Brasil para comentarem o inquérito do MP, mas não havia recebido retorno até a última atualização dessa reportagem. O vereador argumenta que o chamamento público teria tido apenas uma participante, o próprio Instituto Conhecer Brasil, e questiona a ausência de concorrência, levantando suspeitas sobre possível direcionamento do processo licitatório. Ele também aponta indícios de um suposto superfaturamento de mais de R$ 27 milhões no valor do contrato. Em seu site oficial, a ONG se descreve como entidade de “organização e execução de projetos de educação, cultura, turismo, pesquisa e tecnologia”, possuindo expertise no planejamento, coordenação e execução de eventos de grande repercussão nacionais e internacionais”. A descrição não faz nenhuma menção à experiência na instalação de equipamentos de telecomunicações ou redes de internet e wi-fi público. Endereço das duas empresas que pertencem à empresária Karina Gama. — Foto: Reprodução/TV Globo Filme sobre Jair Bolsonaro O Instituto Conhecer Brasil (ICB) tem como única sócia a empresária Karina Ferreira Gama, que também é sócia única da empresa Go Up Entertainment LTDA, produtora do filme. As duas empresas funcionam no mesmo endereço, na Avenida Paulista, 807, sala 2315. O IBC também recebeu R$ 2 milhões de emendas parlamentares do deputado federal Mário Frias, que é produtor executivo e roteirista do mesmo filme. A medida foi tomada após pedidos apresentados pelos deputados Tabata Amaral (PSB-SP) e Pastor Henrique (PSOL-RJ) dentro de uma ação que contesta a destinação de emendas. Os pedidos de apuração citam a existência de um "ecossistema" de pessoas jurídicas interconectadas que compartilham endereço, gestão e infraestrutura, sob o comando de Karina Ferreira da Gama. Entre as entidades citadas, estão: Instituto Conhecer Brasil (ICB)Academia Nacional de Cultura (ANC)Go Up EntertainmentConhecer Brasil Assessoria