Mudança representa transformação na forma como o sistema migratório funcionará e afetará desde imigrantes em situação irregular até profissionais estrangeiros Imigrantes chegam só até Ciudad Juarez, México: agendamento para pedir asilo nos EUA foi cancelado — Foto: Paul Ratje/The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/05/2026 - 16:44 Nova regra do USCIS obriga retorno a países de origem para green card O Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) anunciou que estrangeiros que desejam o green card agora devem retornar aos seus países de origem para solicitar o documento, salvo em casos de “circunstâncias extraordinárias”. A medida impacta imigrantes irregulares e profissionais estrangeiros, podendo resultar em perda de status legal e proibições de retorno ao país. A política visa reduzir a imigração ilegal, mas enfrenta críticas por potencialmente separar famílias e colocar em risco aqueles que fogem de situações perigosas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Estrangeiros que solicitarem residência permanente nos Estados Unidos agora terão de retornar a seus países de origem para pedir o Green Card, anunciou nesta sexta-feira o Serviço de Cidadania e Imigração do país (USCIS). Para solicitar a residência permanente de dentro dos EUA, os estrangeiros precisarão provar que têm “circunstâncias extraordinárias”. Do contrário, correm o risco de ter o pedido negado. A maioria terá de ir ao exterior para solicitar um consulado americano, onde poderá perder o status legal que tinha nos EUA e ficar impedido de retornar. Na prática, a mudança representa uma transformação na forma como o sistema migratório funcionará e afetará tanto imigrantes em situação irregular quanto profissionais estrangeiros patrocinados por empresas. Serão afetados especialmente os milhões de imigrantes que obtêm status legal ao se casar com um cidadão americano ou ao serem patrocinados por filhos americanos com mais de 21 anos — uma “brecha” que o governo do presidente Donald Trump já mirou anteriormente. No início do ano, a administração tentou acabar totalmente com o direito à cidadania por nascimento, medida cuja legalidade será analisada pela Suprema Corte no próximo mês. — A principal motivação política do governo parece ser ter uma solução caso o processo sobre cidadania por nascimento não tenha o desfecho que eles desejam — disse Leon Fresco, ex-funcionário de imigração do Departamento de Justiça no governo Obama. Agora, se um imigrante sem status legal deixar o país, poderá enfrentar desde uma proibição de retorno de três anos até uma proibição vitalícia. O governo também trabalha em uma política conhecida como “public charge rule”, que permitiria a agentes negar pedidos de candidatos que, na avaliação deles, possam um dia depender de assistência social, seja por não terem educação ou patrimônio suficientes. Agentes consulares também foram orientados a analisar publicações de candidatos nas redes sociais em busca de posições anti-Israel ou outras opiniões consideradas contrárias aos chamados “valores americanos”. “Daqui para frente, um estrangeiro que esteja temporariamente nos EUA e queira um Green Card terá de retornar ao seu país de origem para fazer o pedido”, afirmou o porta-voz do USCIS, Zach Kahler, em nota. “Quando estrangeiros fazem o pedido a partir de seus países de origem, reduz-se a necessidade de localizar e deportar aqueles que decidem entrar na clandestinidade e permanecer ilegalmente nos EUA após terem a residência negada.” O comunicado afirma ainda que aqueles que entram nos Estados Unidos com vistos de não imigrante — incluindo estudantes, trabalhadores temporários e turistas — devem permanecer no país por um curto período e com um propósito específico. Segundo o texto, o sistema foi concebido “para que eles deixem o país quando a visita terminar”, de modo que “a estadia deles não deve funcionar como o primeiro passo do processo de Green Card”: “Seguir a lei permite que a maioria desses casos seja tratada pelo Departamento de Estado em consulados americanos no exterior e libera os limitados recursos do USCIS para se concentrar no processamento de outros casos sob sua responsabilidade, incluindo vistos para vítimas de crimes violentos e tráfico humano, pedidos de naturalização e outras prioridades”, acrescentou, definindo o novo processo como “justo e eficiente”. Por sua vez, a HIAS, organização de ajuda que presta serviços a refugiados, entre outros grupos de imigrantes, afirmou que o USCIS está forçando sobreviventes de tráfico humano e crianças vítimas de abuso e negligência a retornarem aos países perigosos dos quais fugiram para processar seus pedidos de green card que lhes concederia residência permanente nos EUA. À ABC News, a advogada de imigração Rosanna Berardi citou alguns casos: — Afegãos que ajudaram as forças americanas e ucranianos fugindo da guerra enfrentam uma armadilha específica: o memorando trata a escolha deles de solicitar um green card dentro dos EUA como um fator negativo, porque sua admissão foi temporária — disse. — Muitos não têm para onde retornar em segurança. O advogado Todd Pomerleau afirmou que não é permitido, “com um golpe de caneta, derrubar uma lei”. Segundo ele, a nova medida anunciada é “ilegal e será barrada rapidamente nos tribunais”. Shev Dalal-Dheini, diretora de relações governamentais da American Immigration Lawyers Association, disse à ABC News que o Congresso criou o modelo de ajuste de status dentro dos EUA para evitar a separação de famílias e garantir que empresas americanas possam manter funcionários durante atrasos nos vistos. — Desde os anos 1950, o Congresso permite especificamente que não imigrantes ajustem seu status nos EUA para o de portador de Green Card e, ao longo dos anos, expandiu lentamente essa classe elegível — disse. — O arcabouço legal está bastante consolidado e existe há muitas décadas. Esse governo diz que vai perseguir criminosos, mas, ao mesmo tempo, está desmontando o processo para pessoas que tentam seguir a lei. (Com Bloomberg)