Dois anos depois de a lei de 2024 ter criado em Itália incentivos para potenciais promotores desenvolverem capacidade eólica offshore, o governo italiano ainda não anunciou um calendário para os leilões (que disse querer realizar até 2028). Esta inércia reflecte uma relutância em abraçar a transição para longe dos combustíveis fósseis, num contexto internacional marcado por um debate complexo e polarizado, que opõe os defensores da energia limpa a alguns governos e empresas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem liderado o apoio à continuação da utilização de petróleo e gás.Para as famílias e empresas italianas, o impacto é severo, devido à subida dos preços dos combustíveis fósseis desde que os ataques aéreos dos EUA e de Israel desencadearam a guerra no Irão, no final de Fevereiro. A exposição é particularmente elevada por causa da dependência da Itália do gás natural importado.Michele Schiavone, director nacional italiano da divisão de projectos offshore da Copenhagen Infrastructure Partners, afirmou que a relutância de Roma em relação à energia eólica offshore significa que o país poderá perder um sector fundamental para a própria segurança energética futura.“O silêncio (do Governo) não está apenas a impedir-nos de avançar, está a fazer-nos recuar”, afirmou Michele Schiavone. “É um autogolo que é demasiado mau para ser verdade.”Subida do custo da electricidadeO gás natural fóssil, que é mais caro do que as energias renováveis, representa quase metade da produção de electricidade da Itália, a proporção mais elevada da União Europeia, de acordo com dados de 2025 dos think tanks globais de energia Ember e Energy Institute. Em comparação, esta proporção é de cerca de um quinto em Espanha, 17% na Alemanha e 3% na França, onde predomina a energia nuclear.Sendo o maior importador de gás natural liquefeito do bloco europeu através do Golfo, onde o encerramento efectivo do estreito de Ormuz pelo Irão causou uma perturbação sem precedentes no abastecimento energético, a Itália poderia ter respondido acelerando a busca por energias renováveis. Em vez disso, lançou-se numa busca internacional por novos fornecedores de gás, tal como fez após a invasão da Ucrânia por Moscovo em 2022.“O nosso pânico actual em relação ao impacto energético das guerras em curso deve-se, em parte, ao facto de não termos seguido as políticas e os investimentos certos no passado”, afirmou Riccardo Barbieri, director-geral italiano do Tesouro.