O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira (22) o trecho da minirreforma eleitoral aprovada esta semana pela Câmara que flexibiliza o disparo de mensagens em massa durante as eleições. Ele afirmou que pretende trabalhar para que o Senado retire a medida do texto e disse que, se a mudança for mantida, irá vetá-la. “Certamente vetarei. Primeiro vou trabalhar para o Senado não aprovar, depois vetarei”, afirmou o presidente. A declaração foi feita em entrevista ao programa Sem Censura, da EBC. Lula demonstrou preocupação com o uso de plataformas digitais e de inteligência artificial no processo eleitoral. Segundo ele, a falta de controle sobre o ambiente digital pode produzir efeitos graves na democracia e na convivência social. “Se o governo não joga pesado nisso, a gente vai ver um país onde predomina o canibalismo”, disse. Lula afirmou reconhecer a importância da internet para a humanidade, a ciência, a saúde, a imprensa e para a geração de renda, mas disse que o problema está na ausência de regras e responsabilização. “O que me preocupa é a falta de controle”, afirmou. “Se no real é crime, no digital é crime.” O presidente negou que a defesa de regulação das plataformas digitais tenha relação com censura. “Não quero censurar nada”, disse. Segundo Lula, o governo tem enfrentado dificuldades no Congresso, mas conseguiu avançar em parte da agenda legislativa. “Temos um Congresso que nem sempre é 100% favorável, mas temos conseguido aprovar bastante coisa.” Lula também citou a forma como tomou conhecimento da taxação imposta pelos Estados Unidos ao Brasil. Segundo ele, soube da medida por meio de redes sociais. “Não se pode achar normal um presidente da importância dos EUA querer governar o mundo pelo Twitter”, afirmou. 'Sou contra fundo partidário e eleitoral' O presidente também afirmou, na entrevista, que mudou de posição sobre o financiamento público de campanhas e hoje é contra os fundos partidário e eleitoral. “Eu era favorável a fundo partidário e fundo eleitoral, hoje sou contra”, disse. Segundo Lula, o modelo atual “levou à promiscuidade na política”. O presidente reconheceu que a posição causa desconforto dentro do próprio partido. “O PT não gosta que eu diga isso não”, afirmou. Lula também criticou o peso das emendas parlamentares no sistema político. Segundo ele, um deputado dispõe hoje de cerca de R$ 60 milhões por ano em emendas. Para o presidente, o financiamento da eleição deveria ser uma responsabilidade partidária. “Quem tem que ajudar a pessoa a se eleger é o partido”, disse. Ao relembrar suas primeiras campanhas, Lula afirmou que buscava recursos de forma direta e artesanal. “Eu vendia bola, macacão e fita métrica”, relembrou.
Minirreforma eleitoral: Lula critica liberação de mensagens em massa e diz que, se passar no Senado, vai vetar
Presidente demonstrou preocupação com o uso de plataformas digitais e de inteligência artificial no processo eleitoral












