A filósofa Marilena Chauí é uma daquelas figuras cujo nome precede a obra. É daquelas autoras que, antes mesmo de a termos lido, dela já ouvimos falar, seja por seu engajamento nas fileiras do PT, seja por suas declarações de ódio à classe média brasileira. No entanto, por trás – ou ao lado – do nome está a obra.
Marilena, nascida em 1941, é a intelectual que não dispensa o confronto político, consciente que é de que todo pensamento se alimenta da experiência histórica sob a qual é formado.
Mas ela é também a professora emérita de História da Filosofia Moderna na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), a filósofa rigorosa que dialoga com desenvoltura com autores do passado e do presente.
Foi, justamente, se valendo dessa interlocução que Marilena elaborou uma das análises mais instigantes do processo de formação da sociedade brasileira. É o que se observa no ensaio Brasil: Mito Fundador e Sociedade Autoritária, agora reeditado pela Autêntica.
Originalmente publicado em 2000, ou seja, em pleno governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, e 500 anos depois da “descoberta” do Brasil, o ensaio dava continuidade às críticas que a pensadora vinha fazendo, desde a década de 1970, ao autoritarismo social e político brasileiro, assim como às ideologias que lhe davam sustentação cultural.















