A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a ser criticada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após chamar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de um “irmão em Cristo”. Ela também vem sendo alvo de bolsonaristas nas redes sociais por não defender o enteado Flávio, senador e pré-candidato do PL à Presidência, em meio à crise envolvendo o Banco Master. Leia mais: A fala de Michelle sobre Alexandre de Moraes ocorreu durante o lançamento da pré-candidatura da empresária e vice-presidente do PL Mulher no Distrito Federal, Maria Amélia, na terça-feira (18), e repercutiu negativamente entre bolsonaristas nas redes sociais. “Vou profetizar aqui, porque Deus transformou Saulo em Paulo. Nosso irmão em Cristo, Alexandre de Moraes, liberou o cabeleireiro, e ele está com aquele cabelinho cortadinho, jogadinho, aqueles olhos azuis brilhantes”, disse Michelle. A expressão “Deus transformou Saulo em Paulo” é um jargão popular e religioso utilizado para simbolizar uma mudança de comportamento, quando alguém deixa para trás um passado considerado ruim ou violento para se tornar uma pessoa boa, pacífica ou convertida. Horas depois da afirmação, Michelle também publicou um trecho bíblico no Instagram que diz: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós”. Na mesma publicação, a ex-primeira-dama escreveu que aprendeu “com a Palavra de Deus” que o perdão liberta o coração. “A justiça pertence a Deus, não a nós. Te amo, Pai”, afirmou. Michelle não citou diretamente Moraes neste post. Bolsonaristas criticaram o tom adotado pela ex-primeira-dama. Há uma semana, Michelle já havia sido alvo de críticas de bolsonaristas por ter cumprimentado Moraes com um beijo no rosto durante a posse do ministro Kassio Nunes Marques como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE ). Na ocasião, apoiadores do ex-presidente questionaram a cordialidade da ex-primeira-dama com o magistrado, considerado o algoz de seu marido. Moraes foi o relator da chamada "trama golpista" e partiu dele o voto que condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão. 'Não estou me metendo nisso', diz Michelle sobre crise de Flávio Bolsonaristas também vêm repercutindo o fato de Michelle não ter feito uma defesa direta do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diante da crise envolvendo o enteado e o Banco Master. Ao deixar o evento de terça-feira, ela foi questionada por um jornalista sobre o caso, e respondeu: “tem que perguntar para ele [Flávio]". Mais cedo, em entrevista à Folha de S.Paulo, ela já havia afirmado que não estava acompanhando o caso. “Não estou me metendo nisso não. Tenho que cuidar do meu marido”, declarou Michelle ao jornal. Na quarta-feira passada, o site Intercept Brasil revelou a existência de um áudio em que Flávio cobra do ex-banqueiro Daniel Vorcaro o pagamento de parcelas do financiamento do filme biográfico de Jair Bolsonaro, o "Dark Horse". O dono do extinto Banco Master, atualmente preso por suspeita de crimes financeiros, repassou R$ 61 milhões dos R$ 134 milhões previstos para custear a produção. Flávio, que até então negava ter qualquer relação com Vorcaro, admitiu ter negociado com o ex-banqueiro após a reportagem. Ele negou irregularidades e disse que a relação estava única e exclusivamente relacionada ao filme sobre Jair Bolsonaro. Ontem, o senador admitiu esteve na casa de Vorcaro, em São Paulo, após o ex-banqueiro ter sido preso pela primeira vez, em novembro de 2025. Na ocasião, Vorcaro utilizava tornozeleira eletrônica na ocasião. A confissão também se deu após a publicação de reportagens sobre o encontro. Ele disse que foi ao “encontro dele para botar um ponto final nessa história”. “Se ele [Daniel Vorcaro] tivesse me avisado que a situação era grave como essa, já teria ido atrás de outro investidor [para o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro] há muito mais tempo”, afirmou após reunião com bancadas do PL da Câmara e do Senado. Procurada pelo Valor, a assessoria de Michelle não retornou até a publicação desta matéria. Michelle voltou a ser cotada para disputa presidencial A possibilidade de Michelle disputar a Presidência voltou a circular nos bastidores após a divulgação das mensagens entre Flávio e Vorcaro. Como mostrou o Valor, uma ala do PL ligada ao pastor Silas Malafaia avaliou que a ex-primeira-dama teria maior apelo popular do que Flávio, principalmente entre o eleitorado feminino conservador. Entre os argumentos apresentados por defensores da ex-primeira-dama está a avaliação de que ela possui maior capacidade de diálogo com mulheres conservadoras que demonstram resistência ao bolsonarismo mais radicalizado. Desde o fim do governo Jair Bolsonaro, Michelle passou a investir em agendas voltadas ao público feminino e ao fortalecimento político de mulheres conservadoras. Outro ponto citado por aliados é que uma eventual substituição de Flávio por nomes externos ao núcleo bolsonarista poderia representar perda de capital político da família. Aliados de Flávio, no entanto, atuaram para desmentir essa hipótese, classificando as especulações sobre substituição como “narrativa”.
Michelle é alvo de bolsonaristas por se distanciar de Flávio e comportamento com Alexandre de Moraes
Ex-primeira-dama se referiu ao ministro do STF como um 'irmão em Cristo'; fala repercutiu negativamente entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro











