Em evento em Brasília, ex-primeira-dama volta a gerar desconforto entre bolsonaristas por novo gesto ao ministro do STF; ela evitou comentar crise de Flávio por mensagens com Vorcaro Maria Amélia e Michelle em evento no DF — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 11:38 Michelle Bolsonaro chama Alexandre de Moraes de "irmão em Cristo" em Brasília Em evento em Brasília, Michelle Bolsonaro chamou o ministro do STF, Alexandre de Moraes, de "irmão em Cristo" após ele liberar um cabeleireiro para Jair Bolsonaro durante a prisão domiciliar, gerando desconforto entre bolsonaristas. Ela evitou comentar a crise envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ressaltando que ele deveria ser questionado diretamente. A aproximação entre Michelle e Moraes é vista como tentativa de reduzir tensões institucionais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A autorização dada por Alexandre de Moraes para que Jair Bolsonaro recebesse um cabeleireiro durante a prisão domiciliar levou Michelle Bolsonaro a fazer nesta terça-feira um gesto inesperado ao ministro do STF. Durante evento político em Brasília, a ex-primeira-dama chamou Moraes de “irmão em Cristo” e voltou a provocar desconforto entre setores do bolsonarismo. A declaração ocorreu durante o lançamento da pré-candidatura de Maria Amélia, vice-presidente do PL Mulher no Distrito Federal, a deputada federal, em Brasília. Ao falar sobre o ex-presidente, Michelle citou uma passagem bíblica sobre conversão religiosa e fez referência direta a Moraes. — Vou profetizar aqui porque Deus transformou Saulo em Paulo. Nosso irmão em Cristo, Alexandre de Moraes, liberou o cabeleireiro, e ele está com aquele cabelinho cortadinho, jogadinho, aqueles olhos azuis brilhantes — afirmou. A fala ampliou o mal-estar que já vinha crescendo entre setores bolsonaristas desde a semana passada, quando Michelle cumprimentou Moraes com um abraço durante a posse de Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nos bastidores, aliados do ex-presidente vinham interpretando os movimentos da ex-primeira-dama como uma tentativa de reduzir a tensão institucional entre a família Bolsonaro e integrantes do Supremo. A aproximação já vinha sendo percebida desde março, quando Michelle se reuniu reservadamente com Moraes na véspera da decisão que autorizou Jair Bolsonaro a cumprir pena em prisão domiciliar. Interlocutores do PL atribuem à conversa parte da melhora no canal entre os dois lados. Horas depois do evento desta terça-feira, Michelle publicou nas redes sociais uma mensagem sobre perdão acompanhada de referências bíblicas. "Aprendi com a Palavra de Deus que o perdão liberta o coração. A justiça pertence a Deus, não a nós", escreveu. No mesmo evento, Michelle também foi questionada pela primeira vez sobre a crise envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Ela evitou comentar o caso e afirmou apenas que o assunto deveria ser tratado diretamente com o senador. — Sobre Flávio, você tem que perguntar para ele. A resposta chamou atenção dentro do PL justamente porque ocorre em meio às tentativas do partido de reorganizar a pré-campanha presidencial do senador após a divulgação de mensagens e áudios com Vorcaro. Nos bastidores, aliados vinham esperando algum gesto mais explícito de defesa pública da ex-primeira-dama em relação ao enteado. Michelle, porém, mantém distância da pré-campanha de Flávio desde o desgaste interno provocado pelo episódio no Ceará, quando Eduardo e Carlos Bolsonaro a criticaram por não avalisar a aliança com Ciro Gomes (PSDB). Desde então, a relação da ex-primeira-dama com os filhos do ex-presidente ficou marcada por um afastamento. Como mostrou O GLOBO, aliados de Flávio passaram os últimos dias tentando conter os danos provocados pelo caso e tentando acalmar o receio de novos vazamentos envolvendo a relação entre o senador e o banqueiro. Nesta quarta-feira, Flávio desembarcou em São Paulo para uma rodada de encontros com empresários da Faria Lima e representantes dos setores de turismo, hotelaria e serviços numa tentativa de reduzir o desgaste político provocado pela crise.