A última semana expôs o que já era possível notar nas entrelinhas dentro do campo bolsonarista. Nikolas Ferreira rompeu publicamente com o núcleo duro ideológico do bolsonarismo, incluindo Eduardo Bolsonaro, Allan dos Santos, Kim Paim e Paulo Figueiredo, e chegou a hostilizar Jair Renan Bolsonaro. Flávio tentou se equilibrar e foi rebatido por Kim Paim em seguida. O episódio é o ponto mais visível de uma reconfiguração que vinha em curso há meses, e a hipótese que os dados sustentam é de que a tensão atual não é conjuntural e existe há mais de um ano.
A ascensão de Nikolas como quadro com base própria gerou pequenos atritos desde o início de 2025, e a movimentação de Eduardo nos Estados Unidos desgastou a relação entre o núcleo ideológico e os quadros políticos da direita bolsonarista. A disputa entre Carlos Bolsonaro e Carol De Toni pela vaga do Senado em Santa Catarina, com participação direta de Ana Campagnolo criticando a família, escancarou que os aliados próximos a Michelle e Nikolas operam fora da tutela do clã. A ascensão de Tarcísio como possível candidato com lógica própria, o episódio recente do maquiador de Michelle criticando Flávio publicamente, todos esses episódios apontam para a dinâmica de que o bolsonarismo deixou de operar como bloco há tempos. Porém essa semana a fratura se tornou exposta.







