Pesquisa reforça peso do endividamento e do debate do fim da escala 6x1 para Lula na eleiçãoDados da importância dos temas na decisão de voto e na avaliação de governo justificam pressa do Planalto para tratar dos temas às vésperas da disputa eleitoral. Crédito: Ricardo CorrêaGerando resumoBRASÍLIA - Depois de ser nominalmente apontado na Câmara como responsável pelo fracasso das negociações sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos no Brasil, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, passou a ser criticado por deputados por se mostrar inflexível no debate sobre transição na PEC do fim da escala 6x1.O ministro foi citado durante almoço realizado pela Frente Parlamentar do Comércio e Serviços nesta quarta-feira, 20, com o objetivo de ouvir o relator da PEC, deputado Leo Prates (Republicanos-BA).Ao responder a dúvidas de parlamentares presentes, Prates afirmou que havia sido chamado por Boulos mais cedo e que o ministro disse que não apoiaria qualquer transição.Boulos é criticado por deputados por ter postura 'inflexível' no debate sobre o fim da escala 6x1 Foto: Júlia Pereira/EstadãoPUBLICIDADE“O Boulos veio: ‘Não, faz assim, já que você está convicto da transição, você bota o dispositivo constitucional remetendo para a lei como transição, que a transição vai ser regulada por projeto de lei’. Eu falei: ‘Não vou fazer assim’”, afirmou. Prates disse ter falado para Boulos especificar o tempo que ele desejaria de transição. O deputado, então, colocaria no texto como dispositivo constitucional, remetendo para a lei. “Mas você dá o tempo”, afirmou.Leia tambémNegociação sobre PEC da 6x1 inclui transição de até 3 anos e redução imediata de 1h; leia bastidorJornada de 40 horas semanais deve ser calculada por média mensal, diz relator da PEC do fim da 6x16x1: Relator defende que quem ganha mais de R$ 16 mil não fique sujeito a regras de jornada e escalaO relator afirmou que isso buscava evitar desgastar o Congresso. “Eu não sou contra o governo. Eu estou cansado desse negócio de ‘Congresso inimigo do povo’. Porque o Congresso faz o trabalho para preservar o País”, disse. “O governo colhe os louros, o que é justo, mérito de quem levantou a bandeira, foi o governo. Mas a gente segura a economia que dá a arrecadação do governo. Aí não dá para eu ser ‘Leo Prates inimigo do povo’“, afirmou.Prates também disse ter respondido a Boulos que as instâncias superiores resolveriam. “Porque eu não tenho como defender publicamente nenhuma transição. Eu não tenho. Eu não tenho condições políticas. Deixei ele (presidente da Câmara, Hugo Motta) à vontade se ele quiser trocar a relatoria, mas eu posso apanhar o que for. Na verdade, eu não tenho como defender uma posição dessa”, afirmou.Publicidade“Se eu botar ‘Ah, a transição vai para PL (projeto de lei)’, vai ser ‘Câmara dos Deputados inimiga do povo’. Ou todo mundo apoia o regramento de transição, inclusive o governo, ou o governo responde ao setor produtivo sobre não ter regra de transição. Cada um no seu jogo”. O deputado Luiz Gastão (PSD-CE) também criticou a postura do ministro. “Agora, aproveitar o Zé Neto (PT-BA) aqui, acho que todos nós aqui, principalmente os deputados, acho que a gente tem que separar o joio do trigo de uma vez por todas e deixar isso claro”, afirmou.“O governo é feito de muitas pessoas”, continuou. “Eu posso defender A, B ou C, não tem problema, mas o presidente Lula tem uma condução. O ministro Luiz Marinho tem tido uma correção com essa matéria extrema, extrema. Agora, quem está, desculpe aqui o tema, ‘melando tudo’, é o Boulos”, disse.“E já foi dito: se vier o ministro Luiz Marinho, se vier o ministro Guimarães, se vier o presidente Lula, se vier qualquer membro do governo negociar para tratar do texto, ele será aprovado por unanimidade no Congresso, porque nós vamos ter diálogo”, continuou. Publicidade“Agora, se vier o Boulos com essas ações e com a forma de atuação querendo fazer... porque isso realmente é uma, desculpe, uma sacanagem que estão fazendo”, disse. “Nós estamos conduzindo um processo que é extremamente ruidoso e é um projeto que vai mexer com a estrutura política e econômica de todo o País.”Procurado, Boulos rebateu as críticas de Gastão. “De fato, não defendemos nenhum tipo de transição e já expliquei as razões. Em resposta ao deputado Gastão, ‘sacanagem’ é empurrar com a barriga a redução da jornada dos trabalhadores”, disse.AppsA condução do ministro no processo de negociação das regras para trabalhadores de aplicativos também foi contestada. O tema vinha sendo debatido desde agosto de 2025 em comissão especial na Câmara dos Deputados, sob relatoria do deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE).Em dezembro, o governo criou um grupo de trabalho sob coordenação de Boulos para formular propostas de regulação trabalhista para entregadores por aplicativo.PublicidadeO GT chegou a divulgar, no final de março deste ano, um relatório prevendo piso para o serviço de transporte para R$ 10 – na época, Coutinho já havia divulgado um relatório com o valor de R$ 8,50.Menos de um mês depois, Coutinho decidiu retirar a proposta de pauta na Câmara por falta de apoio do governo e das plataformas. “Eu quero que, já que o ministro Boulos falou em nome do governo, mande um projeto para a Câmara. Eu, inclusive, me comprometo a votar a favor, apesar de discordar, mas ele vai ter de explicar ao consumidor brasileiro a conta que ele vai levar para o consumidor”, disse.“Estou sugerindo agora que Boulos tenha coragem de mandar. Não foram ele e o Sidônio (Palmeira, ministro da Secom) que decidiram isso? Aí os dois preparam o projeto e mandam para cá”, disse.Publicidade