Empresas precisam redesenhar o trabalho para integrar IA, diz futurista Neil ReddingConhecido como 'futurista do agora', o especialista prevê uso de agentes de IA nas companhias para ganhos de eficiência. Crédito: edição: Larissa KinoshitaGerando resumoA inteligência artificial está fazendo executivos C-Levels (como são conhecidos os cargos de liderança no mais alto escalão das empresas) voltar à operação, de acordo com pesquisa da Afferolab, plataforma de educação corporativa, em parceria com a Tera, plataforma de educação em tecnologia. Segundo o estudo, 25% dos diretores e dos C-Levels revelaram que deixaram de delegar tarefas nos últimos 30 dias porque “com IA, fariam mais rápido sozinhos.” PUBLICIDADEO levantamento ouviu 4,3 mil profissionais com perguntas sobre comportamento organizacional, automação, ROI (retorno sobre o investimento) e maturidade em IA.Uma das descobertas na pesquisa é de que os líderes não estão usando a ferramenta para redesenhar fluxos de trabalho e disseminar o uso da IA entre a equipe. Em vez disso, estão centralizando ainda mais a execução com o uso da IA, afirma Alessandra Lotufo, sócia e managing director da Afferolab.“Isso condiz com o grau de maturidade em IA no Brasil, que é baixa. O C-Level, em sua maioria, usa a IA como secretária para fazer análises e apresentações”, diz. Não significa que seja um uso inadequado, mas, para o cargo de CEO, por exemplo, a ferramenta não deve ser usada somente para aumento da própria produtividade. “O papel do CEO é virar o jogo e mudar o modelo mental. Se não, ele literalmente vai usar a IA como um júnior pedindo algo que a equipe já executa”, diz. PublicidadePesquisa revela que enquanto C-levels brasileiros usam IA apenas para produtividade pessoal, média gerência teme uso contínuo por medo de substituição Foto: Valery/Adobe StockSegundo a pesquisa, 87,5% dos profissionais usam IA para geração de textos, 67,1% para análise de dados, outros 63,4% para apoio em decisões estratégicas e 57,5% para geração de imagens. Mas, quando o assunto é automação, apenas 37,8% usam IA para automatizar tarefas repetitivas. Alessandra avalia que as empresas ainda utilizam IA como apoio de produtividade sem integrar a tecnologia aos fluxos operacionais. Gargalo da média gerênciaA IA também ainda não é pensada de forma sistemática para implementar uma nova forma de trabalhar em outros cargos, pondera a diretora. Isso porque, além da barreira enfrentada para quem está em cargos C-Levels, a média gerência é impactada. No recorte hierárquico da pesquisa, 69% da média gerência admite usar IA em tarefas que poderiam ser delegadas. Desses, 49,6% dizem fazer isso “às vezes”, enquanto 19,4% revelam “frequentemente” utilizar automação no lugar de distribuir demandas. Apenas 6,7% afirmam operar em um nível mais avançado ao delegar tarefas e educar a equipe. Enquanto os C-Levels brasileiros usam a IA como se ainda estivessem no primeiro estágio, no caso da média gerência, uma das razões para o não uso é o temor de ser substituído pela automação. “É parecido com o CEO. A média gerência usa a IA de um jeito pessoal, mas não é para ser assim”, afirma Alessandra. PublicidadeNesse contexto, as lideranças deixam de lado o maior ganho com a IA, que seria arquitetar fluxos, auxiliar nas decisões e coordenar sistemas. Para reverter a situação, o estudo sugere que a mudança começa por treinamentos em diferentes níveis e etapas. No entanto, a transformação é lenta. “Não é da noite para o dia, uma mudança de modelo organizacional exige tempo”, ressalta Alessandra. Descompasso entre conhecimento e execuçãoA barreira é ainda maior por conta do estágio em que a ferramenta é consumida pelos brasileiros. Conforme a pesquisa, dos 73,9% de profissionais que usam a ferramenta, apenas 0,1% alcançaram o nível que chama de “superoperador”. Leia também Camila Farani: 'Copa de 2026 mostrará como a IA reduz erros. Prepare-se para nunca mais ver futebol da mesma forma'Google faz maior mudança nas buscas em 25 anos e desafia o mercado editorialHoje, o mercado brasileiro se concentra em poucas plataformas: 97,4% usam ChatGPT, 81,5%, Google Gemini e 52,7%, Microsoft Copilot, indica o estudo. Alessandra Lotufo reforça que a “IA não é só isso” e pode ser usada de diversas formas no ambiente de trabalho, desde que não seja encarada somente como uma “execução braçal”. A estimativa do estudo é de que o próximo ciclo da IA mude o foco de aprender prompts ou usar novos chats para reorganizar o trabalho. Para chegar a esse nível, o estudo aponta uma mudança no perfil dos profissionais considerados mais avançados em IA. Quem usa apenas uma ou duas ferramentas tende a ganhar uma produtividade pontual e que não é eficiente para quem está em cargos C-Levels ou na média gerência. PublicidadePUBLICIDADEJá os chamados “power users” conseguem reunir sete ferramentas ou mais capazes de criar fluxos integrados e automatizados. Por exemplo, uma vez que a média gerência vira a chave de como usar IA, deixará de utilizar automação apenas para a produtividade e economizar tempo em algumas tarefas para melhorar o fluxo de trabalho. A solução de problemas pode ser direcionado em diferentes setores para resolver reuniões sem eficiência, por exemplo. A IA consegue organizar as pautas prévias, acompanhar conversas e enviar e-mails. “O CEO não vai botar a mão na massa, ele vai liderar a transformação”, resume Alessandra Lotufo.
Executivo C-Level está ‘virando júnior’ ao usar IA no lugar de delegar tarefas, mostra pesquisa
Levantamento com mais de 4 mil profissionais mostra que 25% dos diretores e C-Levels brasileiros admitem que deixaram de delegar tarefas porque ‘fariam mais rápido’ com a IA












