A chegada da IA agêntica está conduzindo as organizações a irem além da automação de tarefas. Sistemas capazes de planejar, decidir e executar processos de forma autônoma redesenham as atividades profissionais, modelos de operação e o que se espera da liderança. Para a NTT DATA, o principal desafio ainda é a disposição dos negócios de se desenvolverem para ir além do acesso à tecnologia e gerar valor real com ela. "A IA agêntica não é mais uma ferramenta de suporte, mas sim a nova geração da inteligência artificial, com sistemas capazes de pensar, decidir e agir de forma autônoma, ampliando a capacidade humana e transformando a maneira como empresas operam e inovam em toda sua cadeia de valor”, diz Daniela Griecco, head de Digital & Analytics da NTT DATA. “Por isso, somente aqueles que souberem redesenhar seus modelos operativos aliando a autonomia da IA com governança humanizada serão capazes de transformar profundamente seus modelos de negócio e poderão deixar de competir para liderar.” Segundo a Griecco, no Brasil, as organizações estão avançando rápido nessa direção, mas ainda com diferentes níveis de maturidade. "A maioria das empresas ainda está em fase de experimentação, testando provas de conceito em áreas que não afetam tanto o seu 'core business', como back-office e supply chain. Mas o uso de múltiplos agentes operando fluxos completos ainda está no início", diz. Daniela Griecco, head de Digital & Analytics da NTT DATA: "Somente aqueles que souberem redesenhar seus modelos operativos aliando a autonomia da IA com governança humanizada poderão deixar de competir para liderar" — Foto: NTT Data / Divulgação O Work Trend Index 2026, da Microsoft, reforça que a diferença entre experimentar IA e gerar valor significativo com ela está menos no acesso à tecnologia e mais na maturidade organizacional. O estudo, baseado em trilhões de dados anonimizados do Microsoft 365 e em entrevistas com 20 mil profissionais que usam IA em 10 países, mostra que 58% dos usuários afirmam produzir trabalhos que não conseguiriam realizar há um ano. Entre os Frontier Professionals, grupo mais avançado no uso de IA, esse índice sobe para 80%. No Brasil, o salto vai de 72% para 82%. O dado mais relevante, porém, está no que explica os resultados: fatores organizacionais, como apoio da liderança e práticas de gestão de talentos, respondem por 67% do impacto reportado da IA, contra 32% de fatores individuais. "Isso confirma o que vemos nos projetos com grandes clientes. A IA só escala quando deixa de ser abordada sob a ótica de tecnologia e passa a englobar os aspectos humanos, cultura organizacional, modelo operativo, governança e indicadores de negócio", diz Claudia Akemi Umemura, head de Talent & Transformation da NTT DATA. Transformação Claudia Akemi Umemura, head de Talent & Transformation da NTT DATA: "Quando a liderança deixa claro o propósito, os limites de uso e o papel das pessoas na validação dos resultados, o medo some e a adoção passa a ser uma construção de competência" — Foto: NTT Data / Divulgação Com tamanho impacto, é natural que a IA agêntica traga receios e resistência. O temor de substituição existe, mas também surgem dúvidas práticas. Colaboradores podem se questionar sobre o que é permitido usar, quais dados podem ser expostos, quem responde por uma decisão do agente e como a qualidade será auditada. "Quando a liderança deixa claro o propósito, os limites de uso e o papel das pessoas na validação dos resultados, o medo some e a adoção da tecnologia passa a ser uma construção de competência", afirma Umemura. Um projeto conduzido pela NTT DATA ilustra esse caminho. Durante oito meses, a empresa trabalhou para desenvolver uma mentalidade AI-first em 35.000 pessoas, começando pela mudança cultural antes de partir para os fluxos agênticos mais complexos. O programa combinou embaixadores por área, trilhas de capacitação orientadas a casos de uso reais, campanhas internas e rituais de compartilhamento de aprendizados. O resultado: mais de 3.000 casos de uso levantados e uma adoção que não perdeu o fôlego com o fim do projeto. "O que mais nos deixa felizes foi ter alcançado a sustentação dessa grande mudança. O cliente segue fomentando a cultura de IA com práticas que trouxemos e que foram institucionalizadas." O padrão observado pela NTT DATA é que as empresas que avançam com mais consistência combinam adoção horizontal (go-wide) – que leva a IA ao dia a dia individual de todos os colaboradores – com uma transformação profunda de processos de ponta a ponta (go-deep). "A partir do momento em que as pessoas percebem que a tecnologia tem um grande impacto na sua produtividade, passam a enxergá-la como uma aliada do seu trabalho. Assim fica mais fácil engajá-las em outras iniciativas", diz Griecco. Um novo perfil de gestão Ao redistribuir decisões operacionais e permitir maior descentralização, a IA agêntica transforma também a gestão. O processo decisório passa a ser orientado por dados em tempo real, não por hierarquias rígidas. Mas isso só funciona se o gestor entender as possibilidades e os limites da tecnologia. "O líder deixa de ser apenas quem cobra respostas e passa a ser quem faz boas perguntas, escolhe onde a IA deve atuar e cria as condições para o time experimentar com segurança", diz Umemura. Programas bem-sucedidos combinam metas claras de negócio, governança e espaço para aprendizagem. Quem exige ROI imediato, penaliza erro de experimentação ou mede sucesso só pela redução de pessoas tende a bloquear a inovação e a ampliar o medo de substituição. O trabalho da NTT DATA é apoiar seus clientes nessa transformação, desde a definição da estratégia de adoção até a implementação de plataformas agênticas e a construção das capacidades necessárias para sustentar essa nova realidade. “Cabe à liderança garantir alinhamento e propósito nesse caminho. O entusiasmo em torno da IA é enorme, mas o verdadeiro diferencial está na capacidade de converter potencial tecnológico em valor de negócio, com pragmatismo, escala e resultados que se sustentam”, afirma Griecco.