Depois de um período de experimentação nos últimos anos, a tendência atual é de diminuição da lacuna existente entre as expectativas geradas pela inteligência artificial (IA) e suas aplicações reais. O momento é de consolidação do uso da tecnologia em larga escala, com base no amadurecimento das soluções utilizando agentes, das novas aplicações em SaaS e dos impactos significativos em segmentos como mídia, robótica e conectividade via satélite. Estas são algumas das principais constatações do TMT Predictions, levantamento publicado pela Deloitte. O trabalho aponta para o início de uma era mais silenciosa e madura entre as empresas do setor nativo da IA, Tecnologia, Mídia e Telecomunicações. As conclusões estão alinhadas com outra pesquisa realizada pela Deloitte, a Tech Trends 2026. Em sua 17ª edição, o relatório mostra que as empresas líderes na adoção de IA não se limitam a realizar a automação básica de processos existentes; elas estão reconstruindo processos do zero para gerar impacto real. Desta forma, a tecnologia passa a ser utilizada de forma estratégica, e assim se consolida como fator central na transformação dos negócios. Desafios e incertezas na implantação de IA “A IA está mudando a lógica de funcionamento das empresas. Não se trata mais de automatizar tarefas isoladas, mas de redesenhar processos de ponta a ponta, com foco claro em eficiência, escala e impacto no negócio”, afirma Eduardo Rodrigues, líder do CIO Program da Deloitte. Ronaldo Fragoso, sócio-líder para a indústria de Technology, Media & Telecommunications da Deloitte Brasil, reforça que 2026 deve ser o ano de trazer a visão dessa tecnologia para a prática e a aplicabilidade. “Em 2025 tivemos um ano piloto e de experimentação, em que foi discutido todo o potencial da IA. Mas vimos que ainda há um passo anterior de organização de dados, de treinamento de modelos e de análises que é fundamental para destravar o que ela pode trazer. Para extrair valor real da inovação, as empresas precisam equilibrar inovação com responsabilidade, preparando suas estruturas tecnológicas e seus times para operar em um ambiente cada vez mais integrado entre humanos e máquinas” No Brasil, o avanço acelerado da IA ocorre em um contexto marcado por desafios econômicos, incertezas regulatórias e uma necessidade crescente de eficiência, o que torna ainda mais importante o investimento em inovação estratégica, escalável e orientada a resultados. Ao mesmo tempo, algumas empresas ainda estão em estágios iniciais de maturidade quando se trata do uso mais avançado da tecnologia, avalia Rodrigues. “Nas conversas com CIOs, é comum ver os casos de uso muito concentrados em aplicações de inteligência artificial generativa via chat ou na automação de processos existentes, sem explorar plenamente as possibilidades”. Tendências e previsões O Tech Trends destaca cinco grandes tendências que estão redesenhando o ambiente corporativo: os robôs inteligentes e a chamada IA física, que deixam de ser sistemas pré-programados para atuar de forma autônoma em ambientes complexos; os agentes de inteligência artificial, capazes de executar tarefas, tomar decisões e colaborar com equipes humanas; a necessidade de evolução da infraestrutura tecnológica para sustentar o uso intensivo da IA; a transformação dos modelos operacionais de Tecnologia da Informação (TI); e o paradoxo da cibersegurança impulsionada pela própria inteligência artificial, que gera novos riscos na mesma velocidade com que oferece alternativas para combatê-los. Por sua vez, o TMT Predictions lista 13 tópicos importantes para 2026 dentro do setor de TMT, sendo que mais de metade está relacionada a algum aspecto ligado à automação. Os temas incluem a exigência de mais poder computacional, o uso crescente de inteligência artificial para robótica industrial, robôs humanoides e drones, os avanços nas séries de vídeos curtos lançados diretamente para celular e a expansão dos serviços de internet via satélite. “Essa indústria possui inúmeras possibilidades de uso diretamente no core business, seja na produção de conteúdo ou no provimento de infraestrutura para orquestrar dados e IA. Com isso, a tecnologia pode alavancar o setor, o seu propulsor de transformação, influenciando novos modelos de negócio e novas formas de operar”, diz Jefferson Denti, especialista de IA da Deloitte Brasil.
Para gerar impacto real com IA, empresas reconstroem operações do zero
Estudos realizados pela Deloitte indicam 2026 como o ano da consolidação da tecnologia em larga escala e apontam que é necessário ir além da automatização de processos existentes







