IA vai permitir criar novos negócios de um dia para o outro, diz Ian BeacraftO futurista vê capacidade de comunicar com clareza instruções como habilidade mais importante para lidar com soluções de inteligência artificial. Crédito: Edição: Larissa Kinoshita, produção: Vitória Schimdtz, Motion: Raul Carvalho, Coord de pós: Anderson RussoGerando resumoPara o futurista Ian Beacraft, CEO da consultoria de inovação Signal and Cipher, as empresas que estão usando a inteligência artificial como uma ferramenta para fazer as mesmas coisas que faziam antes estão olhando para a tecnologia da forma errada. Em vez disso, as companhias precisam reestruturar todo o jeito de trabalhar com base na IA para, por exemplo, superar o problema da diferença de velocidade de análises e execução de tarefas entre sistemas inteligentes e trabalhadores humanos. O futurista foi um dos destaques internacionais da programação do São Paulo Innovation Week, que termina nesta sexta-feira, 15.PUBLICIDADE“Ouço muito sobre o uso de agentes, sobre empresas terem agentes na equipe de software, agentes na empresa que fazem todo tipo de coisa, mas existe uma enorme diferença entre ter agentes de IA e os agentes transformarem a maneira como o trabalho é feito. Ter agentes não significa que você transformou fundamentalmente a natureza do trabalho. Mas se você chegou ao ponto em que os agentes são a forma como o trabalho é feito, você teve que investir muito tempo reimaginando, percebendo e remodelando a maneira como o trabalho é feito”, disse Beacraft na noite desta quinta, 14.Beacraft questiona até mesmo a existência de diferentes divisões em uma empresa. Ele argumenta que a existência de departamentos é, sim, uma resposta aos desafios do passado, especificamente, às limitações da capacidade humana. No modelo tradicional, as companhias precisavam de lugares para o conhecimento especializado crescer e ser centralizado. Com a IA, as barreiras entre as divisões começam a cair.PublicidadeLeia tambémComo não emburrecer usando a IA: Especialistas dão dicas para preservar autonomia mental no SPIW‘Correção humana também tem viés’, dizem especialistas sobre uso de IA em avaliaçõesÉ um bom momento para ser paranoico com conteúdos de IA, alerta futurista Ian Beacraft“Com a IA, estamos vendo expansões de capacidade e competência, onde uma pessoa em um departamento agora pode realizar tarefas e trabalhar com alguém em outro departamento, às vezes, no mesmo nível ou pelo menos com qualidade suficiente para impulsionar o progresso”, afirma.Ian Beacraft durante sua palestra no SPIW; futurista diz que empresas precisam mudar fundamentalmente a forma de trabalhar com a chegada da IA Foto: Werther Santana/EstadãoBeacraft exemplifica que o trabalho feito nas empresas hoje é sequencial, com as pessoas executando uma tarefa por vez, e isso muda radicalmente com a IA, que faz múltiplas tarefas ao mesmo tempo e com resultados parecidos ou melhores. O especialista também afirma que as empresas precisam criar um mapa detalhado sobre como os trabalhadores devem usar a IA, indo além da capacidade de uma ferramenta, o que varia de acordo com a natureza de cada negócio.Substituição de trabalhadores pela IAPara Beacraft, a substituição de profissionais pela IA não deve ser vista como uma fatalidade tecnológica inevitável, mas como o resultado de escolhas organizacionais fundamentadas em modelos mentais que podem subestimar o valor intrínseco do trabalho humano. PublicidadeO especialista usa de exemplo o caso da instituição financeira Flora: ao substituir 700 atendentes por bots, a empresa enfrentou uma queda drástica na satisfação dos clientes (NPS) e um aumento nas reclamações. A experiência demonstrou que o capital humano aporta um elemento cultural e uma capacidade de navegar em situações complexas que os algoritmos são incapazes de replicar, evidenciando que cortes de custos sem a compreensão da geração de valor podem resultar em prejuízos operacionais.A tese de Beacraft sustenta que a IA assumirá a vasta maioria das tarefas de execução, estimadas entre 95% e 99% das atividades atuais, o que torna inviável a competição humana baseada em volume, velocidade ou escala. Por isso, ele propõe uma mudança radical na hierarquia laboral: o fim do trabalhador como mero operador em favor de novas funções de “designers” e “arquitetos”. Enquanto a máquina executa o trabalho braçal ou repetitivo, cabe ao humano projetar fluxos de trabalho e definir a intenção, o julgamento ético e os critérios de sucesso da organização. Segundo Beacraft, o uso da IA deve resultar na criação da chamada Architected Information for Organizational Systems (AIOS, Informação Arquitetada para Sistemas Organizacionais). É por meio dela que as companhias podem preencher as lacunas das plataformas de IA ao codificar o “porquê” das decisões que serão tomadas no negócio. Em experimentos com organizações agentais (compostas por agentes de IA), segundo o futurista, o AIOS serviu como a “bússola” que guiou os agentes de IA. PublicidadePUBLICIDADEPor fim, o Beacraft pondera sobre a ansiedade e a perda de funções que acompanham o avanço tecnológico, reconhecendo que a superioridade da IA em tarefas específicas pode impactar o senso de utilidade do trabalhador. A solução proposta, entretanto, não é a resistência à tecnologia, mas a colaboração entre homens e máquinas. Nesse cenário, diz, a automação deve ser direcionada a processos obsoletos, permitindo que as empresas promovam seus talentos para funções que exijam sabedoria, julgamento crítico e design de sistemas. Desse modo, o sucesso corporativo na era da inteligência artificial dependerá menos de demissões e mais da capacidade de integrar a eficiência da IA à criatividade humana.SPIWO São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até sexta-feira, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.
Como as empresas devem se adaptar à IA para lucrarem mais? Futurista Ian Beacraft responde no SPIW
O futurista foi um dos destaques internacionais do São Paulo Innovation Week, que encerra sua programação nesta sexta-feira, 15










