Perguntei, pensei, apurei e não encontrei paralelo em outro país. Representantes brasileiros do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, ao lado de expoentes brasileiros do poder econômico, reúnem-se regularmente em círculo fechado, num país estrangeiro, para discutir o próprio Brasil.

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Mais uma vez, realizou-se neste mês, em Nova York, a chamada "Brazil Week". Nas redes sociais, caminhando pela 5ª Avenida, governadores gravam vídeos em tom solene dizendo que "articulam parcerias internacionais". Empresários afirmam que estão ali para "buscar financiamento". Congressistas dizem que foram "apresentar o país". Magistrados acrescentam aos convescotes empresariais uma aparente camada de respeitabilidade. Durante alguns dias, multiplicaram-se cafés da manhã executivos, painéis, recepções e jantares em hotéis de cinco estrelas, como o Plaza ou o St. Regis. Americanos há poucos e, muitos deles, são remunerados a peso de ouro como "guest speakers" para falar sobre "tendências" e "conjunturas". No essencial, são eventos de brasileiros, para brasileiros, com brasileiros homenageando brasileiros, patrocinados por empresas brasileiras e, em alguns casos, custeados direta ou indiretamente por recursos públicos brasileiros.