Pouco mais de uma semana após a realização da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) nos Estados Unidos, onde Flávio Bolsonaro se apresentou como o candidato de um "Bolsonaro 2.0" e pediu "pressão diplomática" internacional sobre as eleições brasileiras, o bolsonarismo nas redes vive um paradoxo, uma vez que nunca esteve tão mobilizado em torno de 2026 e, ao mesmo tempo, nunca pareceu tão fragmentado por dentro.
Segundo os dados da Palver, que analisa em tempo real mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram, as mensagens que mencionam a família Bolsonaro na última semana revelam um cenário marcado por fraturas internas. Flávio Bolsonaro domina quase metade das menções (46,5%), consolidando-se como figura central da direita. No entanto, 14% de todas as mensagens giram em torno de disputas internas dentro do PL, um volume que rivaliza com os 18% dedicados a apelos por unidade e lealdade ao projeto Bolsonaro.
O lado que defende uma coesão interna tem motivos para preocupação. Eduardo Bolsonaro reabriu a ferida com Nikolas Ferreira (PL), chamando-o de "versão caricata de si mesmo" e acusando-o de desrespeito à família. Nos grupos monitorados, cerca de 20% das mensagens que mencionam Nikolas trazem tom agressivo, como o apelido "Iscariotes", usado em referência a Judas e como sinônimo de traidor, e que é recorrente nos grupos bolsonaristas mais radicais. Ao mesmo tempo, Nikolas trava a filiação do senador Cleitinho ao PL mineiro, mesmo com aval da cúpula nacional, concentrando para si o poder de definir quem entra e quem sai do partido em Minas Gerais. A leitura nos grupos é de que Nikolas quer evitar o crescimento de lideranças autônomas da direita que possam rivalizar com seu protagonismo.






