Lyon, França – O debate sobre o fim da escala 6×1 no Brasil voltou à pauta, mas ainda avança lentamente. Enquanto isso, para alguns trabalhadores, esperar por uma jornada menos exaustiva deixou de parecer uma opção.
Cansados de longas jornadas, deslocamentos intermináveis e da sensação permanente de que parar é um risco, muitos brasileiros já fizeram as malas. Em comum, não mencionam apenas salários ou oportunidades: falam de tempo e da falta dele.
Após o auge da pandemia e a reabertura dos aeroportos, há cinco anos, Marcos, doutor em Ciências Biomédicas pela USP, decidiu deixar o emprego de assessor científico em uma multinacional farmacêutica em São Paulo. A rotina era um retrato do desgaste: seis dias por semana, saindo de Pirituba até o escritório na região do Ibirapuera, além de viagens frequentes para treinamentos e fiscalizações. “No Brasil, você trabalha para não ser mandado embora. Existe uma cultura de que você não pode estar cansado, não pode parar”, diz.
A mudança para a França não foi planejada como fuga, mas como oportunidade. Marcos recebeu um convite de transferência e aceitou. Hoje, atua com pesquisa e desenvolvimento em um dos maiores centros de produção de vacinas da Europa, lidando com imunizantes ainda em fase de testes e com controle de qualidade microbiológico, dos estudos clínicos à produção comercial.






