Eleições 2026

Como é típico na maioria dos assuntos de Estado, o centro da disputa em torno do engajamento do Brasil na iniciativa BRICS+ está no plano político doméstico. Durante grande parte dos últimos dois anos, o governo Lula posicionou Brasília como uma defensora do Sul Global, utilizando a plataforma BRICS+ para advogar por uma arquitetura financeira internacional menos dependente do dólar e por uma recalibragem da governança global. No entanto, sob a retórica de multipolaridade, o atual nível de engajamento do Brasil no bloco sofreu uma desaceleração perceptível. O ímpeto da política externa brasileira encontrou uma limitação significativa, não devido à escassez de oportunidades internacionais, mas sim a um ambiente político doméstico altamente incerto. Com a aproximação das eleições presidenciais de 2026, o compromisso do Brasil com a iniciativa BRICS+ tornou-se contingente ao calendário eleitoral. Além disso, as declarações explícitas do ex-presidente Jair Bolsonaro – que permanece em prisão domiciliar e já indicou seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, para a presidência – de que retirará o Brasil da iniciativa BRICS+ caso retorne ao poder, não pressagiam apenas uma mudança na postura diplomática, mas sim um possível desmonte estratégico da coesão do bloco.