Duplicação da pista, que beira área de proteção ambiental, tem ações para preservação da fauna em área onde coexistem espécies como capivaras, porcos-espinhos e jabutis, além de estudos arqueológicos Cuidado. Jovens capivaras encontradas no entorno da obra são monitoradas e alimentadas — Foto: Divulgação / Ecovias RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 19/05/2026 - 23:00 Duplicação da BR-493 enfrenta desafios ambientais e arqueológicos A duplicação de 20 km da BR-493, que liga Magé a Manilha, enfrenta desafios ambientais significativos. A obra, próxima à APA de Guapi-Mirim, requer um planejamento integrado entre engenharia e meio ambiente para preservar a fauna local e realizar estudos arqueológicos. Estruturas como passagens de fauna são implementadas para minimizar impactos, enquanto achados arqueológicos revelam vestígios de ocupação indígena histórica. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A duplicação do trecho de 20km da rodovia BR-493, entre Magé e Manilha, na Região Metropolitana do Rio, inclui um desafio extra: conciliar as obras de ampliação com um extenso planejamento ambiental, que envolve monitoramento de fauna, preservação de recursos hídricos, educação ambiental para moradores e trabalhadores, além do acompanhamento arqueológico permanente. A estrada — que em outros tempos já foi conhecida como a “rodovia da morte” — é vizinha da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapi-Mirim. A ideia é que a antiga alcunha fique para trás. Isso vale para a via em si, que por anos sofreu com abandono e acidentes recorrentes, e para o meio ambiente no entorno, onde coexistem espécies como capivaras, porcos-espinhos, jabutis, preguiças e pássaros. O terreno tem revelado ainda antigos vestígios de povos indígenas que habitaram a região. Trecho em obras: Magé-Manilha — Foto: Editoria de Arte Antes de qualquer máquina entrar em operação, equipes de biólogos, arqueólogos e técnicos ambientais percorrem a faixa da obra para mapear espécies, cursos d’água, áreas sensíveis e possíveis impactos. Segundo Aline Rodrigues, supervisora de sustentabilidade da EcoRioMinas — concessionária que administra, entre outras rodovias, o chamado Arco Metropolitano, do qual o trecho faz parte —, a execução depende de uma articulação constante entre engenharia e meio ambiente. — É um planejamento complexo e integrado. A área de engenharia trabalha em conjunto com a área de meio ambiente desde o início. Existe um cronograma para que cada etapa da obra aconteça respeitando os estudos prévios, o licenciamento e os programas de monitoramento. Nada avança sem que antes se entenda o impacto e as formas de mitigá-lo — afirmou. Passado que emerge Uma das ações adotadas para reduzir os impactos é a implantação de passagens de fauna. Algumas serão subterrâneas, aproveitando estruturas sob pontes, enquanto outras poderão ser aéreas em trechos críticos. O objetivo é preservar a fauna e, ao mesmo tempo, aumentar a segurança viária. Ao longo do traçado, o passado também emergiu do solo. A duplicação da rodovia atravessa uma região de ocupação indígena histórica, e o acompanhamento arqueológico é exigido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Durante escavações recentes, foram encontradas duas lâminas de machado de pedra, vértebras de peixe e lascas de quartzo, vestígios associados a antigos sambaquis — sítios arqueológicos formados por populações pré-coloniais que viviam em áreas costeiras. Segundo os arqueólogos envolvidos, pelo menos seis sítios já foram identificados ao longo da via desde os primeiros estudos, iniciados há mais de uma década. Fragmentos de cerâmica, louça, vidro e materiais líticos são recolhidos e encaminhados para laboratórios, onde passam por curadoria antes de serem destinados a instituições credenciadas para guarda e pesquisa futura. São cerca de 20 quilômetros em duplicação, com implantação de cinco novos viadutos em desnível, três passarelas para pedestres, melhorias de acessos e conexão ampliada ao Complexo de Boaventura, antigo Comperj.