O ministério do Ambiente e da Energia confirmou nesta terça-feira ao PÚBLICO que deverá enviar até ao final do dia uma recomendação ao Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) para assegurar que este mantém como prioridade o bem-estar dos linces-ibéricos no Centro de Reprodução em Cativeiro de Silves.Em causa está o futuro deste projecto de conservação da natureza, cuja gestão o ICNF deverá internalizar já a 1 de Junho. Enviada essa recomendação, o ministério “ficará na expectativa de saber o que é que o ICNF decide e propõe”. De acordo com o gabinete da ministra, Maria da Graça Carvalho recomenda ao instituto que “tenha como bem supremo o bem-estar dos linces, independentemente da pretendida internalização da gestão do projecto e da contratualização com novos técnicos”.Neste momento, o que se sabe sobre este processo é que a equipa responsável pelo programa há quase duas décadas será afastada, sem que tenha sido divulgado qualquer plano de transição — técnico, legal ou operacional — para assegurar a segurança dos animais e das pessoas envolvidas no projecto.Na semana passada, a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, remeteu quaisquer explicações sobre a decisão para o ICNF, garantindo que mantinha a confiança no instituto.Já nesta terça-feira, em declarações ao Expresso, sublinhou que a sua intervenção tem limites, uma vez que a matéria é da competência do conselho directivo do instituto público, mas confirmou: “Estou a preparar exactamente um despacho urgente de recomendação. Não é uma ordem, é uma recomendação.”Maria da Graça Carvalho frisou que o despacho “apenas orienta”, sem obrigar juridicamente o instituto integrado na administração indirecta do Estado a seguir soluções concretas. O objectivo, diz, é “assegurar a continuidade e qualidade do serviço prestado aos animais”, que depende de uma “transição bem feita”. “Seja qual for o modelo, tem de se salvaguardar o bem-estar dos animais.”Apesar de ter tido uma recuperação significativa — de menos de 150 indivíduos para mais de dois mil na Península Ibérica —, o lince-ibérico (Lynx pardinus) continua classificado como espécie vulnerável, dependente de programas intensivos de conservação.A ministra reiterou ainda que tem um papel sobretudo político e de orientação, mas não executivo. “Não vou interferir no modelo, é uma competência do conselho directivo do ICNF”, insistiu.O Azul tentou entrar em contacto com o ICNF, mas, até à hora de publicação desta notícia, não obteve resposta.