O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) requereu à Câmara de Trancoso que pare a obra da muralha de Trancoso, enquanto decorre o período de nidificação dos andorinhões-pretos (Apus apus), depois de ter realizado inspecções ao local e concluir que, como fora denunciado, os trabalhos estavam a decorrer de forma ilegal. Há “destruição directa de ninhos” e não foi pedida a licença que era exigida por lei, refere.A resposta do ICNF chegou esta sexta-feira, mais de duas semanas depois de ter sido questionado sobre a obra da muralha que estaria a perturbar a espécie que, segundo os ambientalistas, tem naquela estrutura a maior colónia do país, com cerca de 300 ou 400 ninhos.O ICNF confirma que foi “notificado pela GNR de uma denúncia sobre os trabalhos de restauro/conservação nas paredes da muralha de Trancoso, por alegada perturbação de uma colónia de andorinhões-pretos existente no local”. No seguimento dessa denúncia, foram realizadas duas visitas ao local, durante as quais os técnicos do ambiente confirmaram que “as intervenções em causa estão a causar a destruição directa de ninhos da espécie, o que constitui uma perturbação durante o período de reprodução e, consequentemente, uma violação directa” do que está definido na lei.Além disso, acrescentam, “sendo conhecida a presença desta colónia de andorinhão-preto no local, os trabalhos de reabilitação deveriam ter sido objecto de um pedido de licença ao ICNF”. Por estas razões, conclui, “o ICNF requereu à Câmara Municipal de Trancoso, enquanto entidade responsável pela execução da obra, o embargo dos trabalhos durante o período de nidificação da espécie”.Segundo a Lista Vermelha das Aves de Portugal Continental de 2022, o andorinhão-preto tem, neste momento, o estatuto de Pouco Preocupante no país, embora seja considerado Vulnerável em Espanha e uma espécie Quase Ameaçada na Europa.A situação vivida na muralha de Trancoso foi identificada a 21 de Abril, quando elementos do Laboratório Rural e do Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS)/Associação Aldeia guiavam alunos das escolas de Trancoso numa visita ao local, que pretendia dar as boas-vindas aos andorinhões e contava mesmo com o apoio do município. A espécie regressa a Portugal nesta altura, vinda de África, para nidificar.
ICNF manda parar obras na muralha de Trancoso por causa dos andorinhões-pretos
Intervenção provocou “destruição directa de ninhos”, constatou o ICNF, que refere ainda que deveria ter sido pedida uma licença para as obras, uma vez que a colónia já era conhecida.










