A grife parisiense Chanel atraiu consumidores que nunca haviam comprado a marca antes, à medida que versões reinventadas de bolsas, sapatos e jaquetas clássicas pelo diretor criativo, Matthieu Blazy, impulsionaram uma demanda que superou a oferta e levaram a um retorno ao crescimento. A empresa de capital fechado informou nesta terça-feira (19) um aumento de 2% na receita em 2025, em termos ajustados pela variação cambial, para 19,3 bilhões de euros. A receita da Chanel havia caído 4,3% em 2024, quando até as marcas de moda mais sofisticadas atingiram os limites da demanda após grandes aumentos de preços durante o boom do luxo no pós-pandemia. Blazy, que assumiu o cargo no ano passado no lugar de Virginie Viard e apresentou sua primeira coleção em outubro, revitalizou a marca com criações como a bolsa de couro “maxi flapbag”, de caimento mais solto, vendida por 8.500 euros, e versões brilhantes e desfiadas da clássica jaqueta de tweed da Chanel. “O que vimos em 2025 foi um impulso criativo em todas as nossas atividades de negócios”, disse a diretora-presidente, Leena Nair, à Reuters em entrevista, acrescentando que os investimentos feitos em 2024 lançaram as bases para a recuperação das vendas. O lucro operacional da Chanel também cresceu 5%, para 4,7 bilhões de euros, ante 4,5 bilhões de euros em 2024, mas abaixo dos níveis registrados entre 2021 e 2023. ‘A demanda superou em muito a oferta’ Quando a primeira coleção de Blazy chegou às lojas em março, consumidores correram para comprar novas bolsas, scarpins bicolores em verde-menta e preto por 1.450 euros, e jaquetas de tweed multicoloridas. “O recrutamento de novos clientes — que nunca haviam comprado Chanel antes — foi fenomenal”, disse Simon Longland, diretor de compras de moda da loja de departamentos de alto padrão Harrod’s, em Londres, à Reuters em entrevista. “A demanda superou em muito a oferta, o que é correto em algumas peças especiais porque, embora possa haver pessoas decepcionadas por não conseguirem a jaqueta que queriam, se todos que quisessem a jaqueta a tivessem conseguido, todos estariam chegando aos lugares com a mesma jaqueta”, acrescentou Longland. A taxa de crescimento da Chanel em 2025 foi mais lenta do que a da rival Hermès, que aumentou as vendas em 9,8%, para 16 bilhões de euros, mas melhor do que a da divisão de moda e artigos de couro da LVMH (incluindo Louis Vuitton e Dior), que recuou 5%, para 37,77 bilhões de euros. Apesar das tarifas impostas por Trump, os Estados Unidos impulsionaram a maior parte do crescimento, com vendas em alta de 7,2% em termos ajustados pela variação cambial na região das Américas, enquanto a Ásia-Pacífico — maior região da Chanel em vendas — registrou queda de 0,8%, e a Europa cresceu 2,5%. A Chanel aumentou os preços em 3% no geral e em 2% para produtos de moda em 2025, e planeja reajustes semelhantes neste ano, disse o diretor financeiro, Philippe Blondiaux. Ele afirmou que os negócios da Chanel no Oriente Médio — responsáveis por cerca de 4% da receita — mostraram resiliência apesar da guerra com o Irã. Depois de abrir 41 lojas no ano passado, a Chanel planeja inaugurar 30 lojas neste ano, incluindo nove boutiques de moda, com aberturas previstas em Boca Raton, na Flórida, e em Palo Alto e San Diego, na Califórnia. Ameaça aos rivais Com a inflação em alta reduzindo o número de consumidores com recursos para comprar itens de luxo, o sucesso da Chanel pode ameaçar as tentativas de recuperação de Dior, Louis Vuitton e Gucci, dizem analistas. “Os pessimistas [onde nossa própria visão está atualmente inclinada] argumentariam que, no contexto de um crescimento fraco do setor, a retomada da Chanel tem de ocorrer às custas dos pares”, escreveram analistas do Morgan Stanley. Mas marcas rivais de luxo também podem ver o entusiasmo em torno da Chanel como algo positivo, por mostrar que uma retomada é possível. “Vejo isso como um bom indicador para o luxo, de que a Chanel está criando um burburinho que simplesmente não existia havia vários anos”, disse Harsharan Mann, gestor de portfólio e líder do setor de consumo da Aviva Investors, em Londres. “O sucesso da Chanel mostra que o luxo é, de fato, um mercado movido pela oferta e que, mesmo em um ambiente econômico mais difícil, se você traz nova criatividade, isso pode gerar interesse e vendas”, afirmou Mann. Varejistas do comércio popular tomaram nota, e versões inspiradas na Chanel se proliferaram nos últimos meses, desde uma jaqueta franjada de tweed falso em amarelo e preto por 169 euros na Zara, até uma jaqueta cropped creme com botões dourados em estilo Chanel por 59,99 euros na H&M. A Chanel pertence aos irmãos bilionários franceses Alain Wertheimer e Gerard Wertheimer. — Foto: Bloomberg
Chanel volta a crescer à medida que criações de Matthieu Blazy conquistam novos consumidores
Grife parisiense de capital fechado informou um aumento de 2% na receita em 2025, em termos ajustados pela variação cambial, para 19,3 bilhões de euros












