A guerra no Irã e o abalo no mercado global do petróleo têm aumentado os aportes financeiros em energias renováveis e na transição para uma economia menos intensiva em carbono, ainda que o motivo não seja exatamente o combate às mudanças climáticas.

É o que diz Marina Cançado, fundadora da Converge Capital, empresa de consultoria focada em negócios sustentáveis. Ela é uma das organizadoras do Brazil Climate Investment Week, que acontece nesta semana em São Paulo e deve atrair cerca de 350 executivos e investidores.

"O contexto geopolítico está acelerando os investimentos, porque o clima deixou de ser apenas sobre a nossa sobrevivência neste planeta e virou algo totalmente relacionado com a geopolítica. Virou uma questão de ter uma matriz energética mais diversificada, não ficar muito dependente de petróleo", afirma à Folha.

Um relatório da organização internacional Zero Carbon Analytics reforça essa visão: após o início do conflito no Oriente Médio, os fundos negociados em Bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de energia limpa superam os tradicionais de energia nos Estados Unidos e atraíram US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15,2 bilhões) em abril, o maior fluxo mensal desde janeiro de 2021.

Cançado diz que a corrida por investimentos em minerais críticos também é um reflexo da guerra. "Podemos ter nossos problemas internos de segurança pública, mas a paz prevalece na América do Sul, e isso faz a região ser vista como um parceiro confiável para as cadeias de valor."