Os biocombustíveis definitivamente entraram na pauta global como uma alternativa nesse cenário de conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia-Rússia, que geraram uma crise para o mercado do petróleo. Não estamos falando de clima ou do meio ambiente, estamos falando de crise econômica, inflação, segurança energética e nacional.PUBLICIDADENesse ambiente, o Brasil está se colocando em duas frentes muito claras. A primeira é interna. O biodiesel brasileiro construiu uma história sólida de crescimento ao longo de 21 anos para cumprir sua missão de descarbonização e apoiar a construção de uma matriz energética mais limpa.Cresceu impulsionando a industrialização de um novo setor com impacto direto em toda uma cadeia de agronegócio, com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e de empregos. Chega em 2026 aguardando a ampliação da mistura para 16% (B16) ao diesel fóssil conforme estabelecido na Lei Combustível do Futuro. Os fabricantes de biodiesel se mobilizam com uma clara pauta de internacionalização Foto: Wilton Junior/EstadãoMais 1% de biodiesel significa bilhões de reais que impulsionam a economia nacional, fortalecendo a cadeia da soja e de outras matérias-primas, gerando mais empregos, mais impostos, reduzindo a dependência externa e promovendo a segurança energética nacional.Ao mesmo tempo, o setor se posiciona como alternativa pronta e com capacidade instalada disponível para avançar até B22, o que reduz diretamente a dependência brasileira do diesel importado, já que o país não tem condições de refinar todo combustível que precisa para consumo interno.PublicidadeOutra frente é do ambiente externo. Os fabricantes de biodiesel se mobilizam com uma clara pauta de internacionalização. Em abril, na Alemanha, o Brasil foi o País-Parceiro Oficial da Hannover Messe 2026, a maior feira de inovação e tecnologia industrial do planeta. O governo federal colocou os biocombustíveis como principal bandeira comercial e grandes montadoras de caminhões daquele país destacaram o uso viável de 100% de biocombustível em seus veículos. O objetivo do setor é eliminar restrições geopolíticas e ampliar a presença do produto brasileiro como uma solução imediata, que vai direto para o tanque, principalmente para enfrentar o impacto brutal do aumento dos custos do petróleo na Europa.Ainda no palco externo, nesta semana, durante o Brazil Summit, em Nova York (EUA), a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) lançaram oficialmente a primeira conferência AliançaBiodiesel Global, que acontecerá em dezembro, em São Paulo.O objetivo é abrir novos mercados para o biodiesel, em diferentes países, e posicionar o Brasil como protagonista global na agenda da transição energética. Vamos conectar produtores, indústrias, compradores, investidores, governos e lideranças empresariais de diversas partes do mundo, criando uma plataforma permanente de diálogo, cooperação institucional e geração de negócios.PublicidadeNesse sentido, o estudo do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV) tem um diagnóstico cirúrgico do potencial econômico do setor para nosso país: os biocombustíveis podem ampliar o PIB brasileiro em até R$ 403,2 bilhões entre 2030 e 2035. CONTiNUA APÓS PUBLICIDADEDe acordo com o relatório Potencial Econômico das Práticas Sustentáveis na Agricultura e Pecuária, a produção de biocombustíveis pode alcançar 64 bilhões de litros no período analisado e deve gerar R$ 62 de retorno para cada R$ 1 investido. Os benefícios dessa alternativa energética como um vetor de crescimento impactam diferentes setores da economia.Estamos falando de economia e investimentos, mas não podemos esquecer do benefício ambiental. Com mais biodiesel, menores emissões de gases de efeito estufa e menor pegada de carbono no transporte, o Brasil se reafirma na posição de protagonista na caminhada global da transição energética e reverte a questão do aquecimento global.Essa pauta aponta para um ponto de inflexão no cenário energético global e ela deve se transformar em planos de investimentos para a construção de um mundo com energias mais limpas e menos dependentes do petróleo. Essa é a notícia que queremos ver.
Mundo pende para energias limpas, e biodiesel brasileiro quer internacionalização
A pauta aponta para um ponto de inflexão e deve se transformar em planos de investimentos para a construção de um mundo com energias mais limpas e menos dependentes do petróleo













